O candidato do PL ficou mudo diante do Brasil inteiro, e agora a campanha quer saber quem responde por isso. A equipe de Flávio Bolsonaro protocolou na Justiça Eleitoral uma notícia-crime e pede a abertura de investigação sobre a exibição sem som do programa do senador no horário eleitoral gratuito, às 13h da segunda-feira 12, feriado de Nossa Senhora Aparecida.
O pedido foi encaminhado à 1ª Zona Eleitoral de Brasília e assinado pelos advogados Tracy Reinaldet, Matteus Macedo e Leonardo Castegnaro. No documento, a campanha exige esclarecimentos e a “instauração de procedimento investigatório para apurar a autoria e todos os contornos dos fatos noticiados”.
Flávio mudo, Lula com som
O contraste é o centro da queixa. Enquanto o programa de Flávio foi ao ar em rede nacional sem áudio, a propaganda do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição, foi transmitida normalmente, com som e imagem.
Na própria segunda-feira, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) reconheceu uma falha técnica. A corte informou que o arquivo foi corrigido e que o programa será reexibido na quarta-feira 14, logo depois do horário eleitoral da tarde, desta vez com som.
“Nenhuma reexibição devolverá a audiência”
Para a campanha, isso não basta. Os advogados afirmam que a reexibição, “prontamente anunciada” pelo TSE, não “repara o ocorrido”. “Nenhuma reexibição devolverá ao noticiante a audiência do feriado nacional, nem a data de 12 de outubro, que só se repetirá depois da eleição”, diz a petição.
O programa daquele dia tinha um alvo específico. Segundo a campanha, era dedicado a esclarecer a falsidade da narrativa, lançada pelo PT e pela esquerda, de que Flávio, se eleito, retiraria o título de Padroeira do Brasil de Nossa Senhora Aparecida, e a prestar homenagem à santa. Os advogados dizem que essa acusação já foi reconhecida como inverídica pelo TSE e pela Suprema Corte, mas continuava a ser explorada pela campanha adversária e por sua militância digital.
A petição lista três motivos para considerar a data a “melhor oportunidade de toda a campanha”. Era o dia da Padroeira, com a atenção dos católicos voltada a ela. Era feriado nacional, com milhões de famílias diante da TV na hora do almoço. E o horário eleitoral é o único espaço em que o candidato fala, “sem intermediários”, a todo o eleitorado ao mesmo tempo.
“Dano evidente e irreversível”
A campanha sustenta que o episódio causou dano “evidente e irreversível”. Argumenta que o fato é inédito e que atingiu justamente o candidato da oposição, a 13 dias do segundo turno. Diz também que o eleitor viu “um candidato mudo e, logo depois, o seu adversário falando normalmente, contraste que nenhuma reexibição apagará”. E registra: “Nunca, em nenhuma eleição presidencial anterior, o programa de um candidato havia sido transmitido em rede nacional sem áudio.”
Os advogados afirmam que o áudio foi “suprimido” e que a conduta, “ao que tudo indica, pode se amoldar ao delito previsto no art. 331 do Código Eleitoral”. Pedem ainda que o TSE e o grupo de emissoras preservem “os arquivos, as gravações e os registros” do bloco exibido no dia 12.
O que vem agora
A Justiça Eleitoral ainda não se manifestou sobre o pedido, segundo o material disponível. A reexibição com som, marcada para quarta, será o primeiro teste. O outro será saber se a investigação sai do papel antes do segundo turno.
Análise do Giro
Falha técnica acontece, e o TSE a reconheceu. Mas o silêncio caiu justamente sobre o programa que responderia a uma acusação que a própria campanha diz já ter sido considerada falsa pela Justiça, no dia mais simbólico para os católicos. É legítimo que a oposição cobre apuração, e é dever da Justiça Eleitoral responder com transparência, para que nenhum eleitor tenha dúvida sobre a igualdade de condições na disputa.
Com informações de Revista Oeste.



