Dois cidadãos da Letônia que vivem legalmente no Reino Unido foram presos na quinta-feira, após violarem a cerca de segurança da RAF Molesworth, base militar britânica que abriga operações de inteligência dos Estados Unidos e da Otan. A prisão se deu com base na Seção 4 da Lei de Segurança Nacional de 2023 do país, segundo a agência Reuters.
O caso abriu uma grande investigação antiterrorista. A base funciona como um centro de inteligência que apoia comandantes militares americanos na Europa e na África.
Como a invasão foi descoberta
Os homens, de 32 e 36 anos, foram encontrados dentro da instalação por volta das 2h de quinta-feira, após uma varredura de segurança ampla. O alerta havia sido dado por volta das 22h de quarta-feira, quando policiais do Ministério da Defesa, em patrulha de rotina, encontraram um veículo abandonado perto do perímetro.
Especialistas em desativação de bombas liberaram o carro. Em seguida, policiais armados localizaram o rompimento na cerca e os dois homens dentro da base.
Os suspeitos foram detidos inicialmente por invasão de propriedade e dano criminal. Depois, foram presos de novo, agora pela Lei de Segurança Nacional, sob a acusação de entrar em local proibido com finalidade prejudicial ao Reino Unido. Eles continuam sob custódia. Policiais antiterrorismo cumprem mandados de busca em dois imóveis residenciais em Peterborough, cidade próxima.
O que é a RAF Molesworth
A base é administrada pelo 423º Grupo de Base Aérea da Força Aérea dos EUA. Não recebe aviões: é dedicada a operações conjuntas de inteligência e comando. Ali ficam elementos de inteligência do Comando Europeu dos EUA (EUCOM), do Comando da África dos EUA (AFRICOM) e do Centro de Fusão de Inteligência da Otan.
Na Segunda Guerra Mundial, o campo de pouso foi usado pelo 15º Esquadrão de Bombardeio americano. Foi desativado oficialmente em 1973 e depois passou à função atual de centro de inteligência.
Expansão de US$ 556,5 milhões
A base passa por uma ampliação de US$ 556,5 milhões, centrada no Complexo Conjunto de Análise de Inteligência (JIAC). As obras começaram em 12 de abril de 2024, e a conclusão está prevista para o verão de 2028. O complexo vai reunir 20 instalações e mais de mil funcionários da Agência de Inteligência de Defesa dos EUA (DIA). O projeto integra os esforços de consolidação da infraestrutura americana na Europa.
Na época do lançamento, a vice-diretora da DIA, Suzanne White, afirmou que a estrutura permitiria à missão compartilhada dos EUA e de seus aliados superar competidores estratégicos e enfrentar ameaças em conjunto.
Reações e cautela
Após o episódio, o Comando Europeu dos EUA elogiou a resposta rápida dos britânicos. Em nota, disse que as forças americanas seguem no mais alto nível de prontidão enquanto avaliam a postura global de segurança, e agradeceu ao Reino Unido pela parceria.
As autoridades britânicas pedem cautela. A comandante do Policiamento Antiterrorismo de Londres, Helen Flanagan, disse que a polícia tem plena consciência do interesse e da preocupação recentes com locais militares. Segundo ela, os investigadores não identificaram ligação entre a invasão em Molesworth e as preocupações recentes de segurança na base RAF Fairford, também usada por bombardeiros estratégicos americanos. Flanagan afirmou que a polícia mantém a mente aberta e que as apurações seguem em andamento. Não há, por ora, conclusão sobre eventual motivação de espionagem ou terrorismo.
A Fox News Digital pediu comentários ao Pentágono e à CIA.
Análise do Giro
O episódio mostra que a proteção de instalações militares aliadas não pode ser tratada como rotina, ainda mais quando elas concentram informações sensíveis do Ocidente. A resposta rápida da polícia britânica merece reconhecimento, e é prudente aguardar a investigação antes de atribuir intenções aos presos, que têm direito à presunção de inocência. Defender a liberdade passa também por garantir que as democracias tenham segurança firme e instituições capazes de protegê-la.
Com informações de Fox News.



