Registros do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) mostram que pelo menos 336 mil votos foram anulados nas eleições de 2026 porque eleitores digitaram números de partidos que não tinham candidato na disputa. Os dados constam dos Registros Digitais de Voto (RDVs) e envolvem a eleição presidencial e a de governador de São Paulo.
Número 10 na presidencial, 22 em São Paulo
Na corrida ao Palácio do Planalto, mais de 231 mil eleitores digitaram o número 10, do Republicanos. A legenda não apresentou candidato a presidente, e por isso todos esses votos foram contados como nulos.
Na disputa pelo governo paulista, cerca de 105 mil votos foram anulados com o número 22, do Partido Liberal (PL), que também não tinha candidato ao cargo. Somados, os dois grupos chegam aos 336 mil votos nulos.
Confusão entre aliados?
Os dados levantam a hipótese de confusão entre legendas próximas. Tarcísio de Freitas foi reeleito governador pelo Republicanos, com 62,65% dos votos. Flávio Bolsonaro, por sua vez, usou o número 22 na eleição presidencial.
Há, porém, um limite claro: os registros não permitem confirmar a intenção de voto de cada eleitor. Também não é possível saber se as mesmas pessoas erraram nas duas disputas. Os números podem refletir confusão ou simples engano.
Outros números digitados na presidencial
Os RDVs apontam ainda outros números sem candidato na disputa presidencial:
- 164 mil votos com o número 12, do PDT, partido de Ciro Gomes;
- 114 mil votos com o número 44, do União Brasil;
- 95 mil votos com o número 45, do PSDB, associado a Aécio Neves.
Segundo o material analisado, esses números correspondem a legendas e campanhas de eleições anteriores. Isso sugere que parte dos eleitores pode ter repetido hábitos de votação do passado, mesmo sem os mesmos candidatos na disputa.
Nulos em proporções diferentes
No primeiro turno, 3,6 milhões de votos para presidente foram anulados, o equivalente a 2,93% do total. Na eleição para governador de São Paulo, cerca de 1,9 milhão de votos foram nulos, ou 7,26% do resultado. O índice paulista é bem maior que o da disputa nacional.
Os registros indicam falhas na comunicação sobre números de partidos e candidatos. O TSE pode avaliar melhorias em campanhas educativas para as próximas eleições, além de uma análise mais profunda dos padrões de voto nulo em diferentes regiões e de suas causas reais.
Análise do Giro
Os números não indicam irregularidade, mas mostram que muitos eleitores chegaram à urna sem saber ao certo quem podiam escolher. Cada voto anulado por engano é uma vontade que deixa de ser contada, e isso interessa a quem defende a liberdade de escolha. Informação clara sobre candidatos e números é o mínimo que se espera de um sistema eleitoral transparente, e o TSE deveria investir mais nisso do que em medidas que limitam o debate.
Com informações de Topic News.



