A pauta do Senado virou palanque. O presidente Lula, candidato à reeleição, afirmou no domingo (11/10) que a PEC que acaba com a escala 6×1 será analisada pelos senadores na quarta-feira (14/10). Segundo apurou a coluna do Metrópoles, ele também entrou pessoalmente na articulação para levar a PEC da Segurança à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) no mesmo dia.
Almoço no Alvorada para pedir apoio
Os bastidores mostram um presidente em campanha, mas também operando o Congresso. Na terça-feira anterior, durante um almoço no Palácio da Alvorada, Lula pediu apoio a aliados e ao presidente da CCJ, Otto Alencar (PSD-BA). O petista ainda conversou com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), e acertou o encaminhamento da proposta.
Ou seja: a agenda do Senado foi combinada à mesa, no Alvorada, a poucos dias de uma etapa decisiva da eleição.
A aposta contra a vantagem de Flávio
O motivo não é segredo. De acordo com a apuração, o fim da escala 6×1 é uma das apostas do governo para tentar reduzir a vantagem do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) na disputa. A reação da oposição a essa movimentação é o ponto que o Planalto prefere evitar: votar uma mudança dessa magnitude no ritmo da campanha, e não no ritmo do debate com o setor produtivo.
Ministério da Segurança vira moeda de troca
Já a PEC da Segurança tem outro papel no plano do governo. O Planalto a enxerga como o caminho para viabilizar a criação de um ministério dedicado à área. Depois, Lula condicionou a instalação da nova pasta à aprovação do texto. Em outras palavras, a pasta só sai do papel se o Congresso entregar o que o presidente quer.
E há mais. Na reta final, o governo pretende concentrar esforços justamente na agenda de segurança pública, tema em que o PT historicamente enfrenta cobrança dos eleitores.
O que vem agora
Os olhos se voltam para quarta-feira (14/10). Resta saber se o Senado, com Otto Alencar na CCJ e Alcolumbre na presidência, vai de fato pautar as duas propostas no ritmo que Lula quer, e como a oposição responderá a uma pauta de impacto eleitoral em plena campanha.
Análise do Giro
Segurança pública e jornada de trabalho são assuntos sérios demais para serem tratados com cronômetro eleitoral. Depois de anos de governo, o Planalto só decide concentrar esforços na segurança na reta final da campanha, e ainda amarra a criação de um ministério à aprovação de uma PEC. Para quem defende o livre mercado e o debate responsável com quem gera emprego, o roteiro levanta uma pergunta legítima: é solução para o país ou estratégia para segurar votos?
Com informações de Metrópoles Eleições.



