Revés na reta final da campanha petista. O ministro André Mendonça, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), determinou nesta terça-feira, 13, que a campanha de Luiz Inácio Lula da Silva retire do ar um vídeo que acusava o senador Flávio Bolsonaro (PL) de planejar cortes em programas sociais. Para o magistrado, a propaganda ultrapassou os limites da crítica política.
O que dizia o vídeo derrubado pela Justiça
A peça foi publicada nas redes da campanha de Lula em 6 de outubro. Ela associava Flávio a possíveis cortes no Farmácia Popular, no Minha Casa, Minha Vida, no Mais Médicos, nos programas de combate ao câncer, na construção de cisternas, na merenda escolar e na prevenção de desastres.
O senador desmentiu as acusações. Sua equipe, segundo a Revista Oeste, explicou ponto a ponto o que considera falso na peça petista.
‘De maneira categórica’: o recado do ministro
Na decisão, Mendonça afirmou não ter identificado propostas ou falas de Flávio que indiquem a intenção de extinguir ou reduzir os programas citados. O ministro escreveu:
“Os representados não se limitam a formular críticas às propostas defendidas pelo representante, tampouco apresentam conjecturas sobre eventuais consequências institucionais de sua implementação. Ao contrário, atribuem-lhe, de maneira categórica, o anúncio ou a intenção de promover o corte do Farmácia Popular, do Minha Casa, Minha Vida, do Mais Médicos, do Combate ao Câncer, das Cisternas, da Merenda Escolar e da Prevenção de Desastres.”
Segundo o magistrado, a campanha deixou de apresentar uma interpretação crítica das propostas do adversário. Passou a divulgar como fato uma intenção que não encontrou respaldo no material analisado pela Justiça Eleitoral.
O que é, afinal, o ‘tesouraço’
Mendonça também esclareceu o termo que serviu de munição à propaganda. O “tesouraço” mencionado no sistema da Justiça Eleitoral se refere exclusivamente à redução da estrutura administrativa do Estado. A proposta abrange cortes de ministérios, cargos comissionados, despesas administrativas, penduricalhos e supersalários. Em outras palavras: enxugar a máquina, não tirar o remédio, a casa ou a merenda do brasileiro.
Vitória parcial de Flávio
A decisão atende só em parte ao pedido da campanha de Flávio. O ministro rejeitou proibir preventivamente novas publicações com teor semelhante e considerou desnecessário estender a restrição a outros vídeos sobre o tema. A ordem se limita à peça de 6 de outubro.
Isso significa que a campanha de Lula não está impedida, por essa decisão, de voltar ao assunto. Mas deverá respeitar os limites legais da propaganda eleitoral, e agora há um precedente fresco sobre onde a Justiça traça a linha.
O que vem a seguir
Com o segundo turno a 12 dias, a pergunta é se o PT vai ajustar o discurso ou insistir no tema por outras peças. A fonte não informa se a campanha petista vai recorrer. Qualquer nova publicação sobre cortes sociais tende a ser examinada com lupa.
Análise do Giro
Acusar o adversário de querer tirar remédio, moradia e merenda sem mostrar uma só fala ou proposta que sustente isso não é debate: é medo vendido como propaganda. Cabe ao governo defender o próprio histórico e criticar as ideias do rival com argumentos, e não com intenções que a própria Justiça Eleitoral não encontrou. Quem propõe cortar ministérios, cargos comissionados e supersalários mexe no privilégio da máquina pública, não no bolso de quem depende dos programas, e o eleitor merece que essa diferença seja explicada com clareza.
Com informações de Revista Oeste.



