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Esquerda racha: líder do PCO culpa Lula por fracasso e vê Bolsonaro vencedor

Rui Costa Pimenta, do PCO, aponta erros estratégicos do governo e do PT no 1º turno, e o recado vem de dentro do próprio campo da esquerda.

Esquerda racha: líder do PCO culpa Lula por fracasso e vê Bolsonaro vencedor
Foto: Calloshccp / CC BY-SA 4.0 (Rui Costa Pimenta)

O tiro agora vem de dentro. Rui Costa Pimenta, presidente nacional do Partido da Causa Operária (PCO), responsabilizou o governo Lula pelo desempenho abaixo do esperado no primeiro turno, em que Flávio Bolsonaro terminou na frente. Na avaliação do dirigente de esquerda, o petista esgotou uma estratégia e colheu o desgaste nas urnas.

“Governar com a direita”: a aposta que, para Pimenta, acabou

Segundo Pimenta, o PT insistiu em governar ao lado da direita e ofereceu programas de compensação, sem resolver os problemas estruturais da economia e do emprego. É um diagnóstico duro, feito por quem está no campo ideológico do próprio presidente.

O líder do PCO listou ainda uma série de fatores de desgaste: o arcabouço fiscal, a taxação de pequenas compras internacionais e a proibição das apostas online.

Via judicial teria alimentado o bolsonarismo

Outro ponto da crítica é a tentativa de derrotar Jair Bolsonaro pela via judicial. De acordo com Pimenta, o movimento acabou alimentando o discurso bolsonarista em vez de neutralizá-lo. Para ele, o grande vencedor do primeiro turno foi o ex-presidente, mesmo preso e inelegível.

A defesa incondicional de Alexandre de Moraes diante das denúncias envolvendo o banqueiro Daniel Vorcaro também entrou na lista de erros estratégicos apontados pelo dirigente.

Alckmin na Fazenda: aceno que não convence ninguém?

Pimenta vê o anúncio de Geraldo Alckmin como ministro da Fazenda como mais um aceno à direita, que, na sua análise, não convence o capital nem mobiliza os trabalhadores. A frente ampla, diz ele, buscou aliados sem respaldo real da burguesia, o que ajudaria a explicar as derrotas de Simone Tebet, Marina Silva e Eduardo Paes.

O líder do PCO também criticou a desmobilização da base pelo governo ao longo de quatro anos, o que teria impedido a mobilização nas ruas.

E o PCO? Números e incerteza

O próprio partido apresentou seus números: crescimento de 130% nos votos para governos estaduais em relação a 2022 e 60 mil votos na disputa pelo Senado. Na eleição presidencial, foram 15 mil votos, patamar parecido com o de 2014, resultado que o partido põe sob questionamento.

O que vem agora

O PCO realiza neste domingo sua Conferência Nacional para decidir o posicionamento no segundo turno. A tendência entre a militância é o voto nulo, mas não há decisão final confirmada. Se confirmada, a posição seria mais um sinal de que o debate sobre estratégia e responsabilidade pelo resultado ganha força nos bastidores da esquerda, justamente quando Lula precisa de unidade para o segundo turno.

Análise do Giro

Quando a crítica a Lula vem de um dirigente do campo da esquerda, o governo perde o argumento fácil de que tudo é obra de adversários. O diagnóstico de Pimenta, de que o PT apostou em compensações em vez de soluções estruturais, ecoa uma cobrança que a oposição faz há tempos sobre economia, emprego e carga de impostos. Cabe ao eleitor decidir, no segundo turno, se quer insistir nessa fórmula.

Com informações de Topic News.

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