Um relatório interno do Supremo Tribunal Federal (STF) acendeu o alerta sobre o nível de hostilidade contra os ministros da Corte na internet. O documento identificou ameaças de “fuzilamento, explosão, enforcamento e esquartejamento” na rede social X, o antigo Twitter. Um trecho do levantamento foi tornado público nesta sexta-feira (9) pelo ministro Flávio Dino, em publicação no Instagram.
X lidera em volume de publicações hostis
Segundo o relatório, o X é a plataforma que concentra o maior volume e a maior proporção de “publicações hostis” contra os integrantes do Supremo. O dado coloca a rede no centro da discussão sobre o ambiente de ódio em torno do Judiciário.
As frases que chocaram
O levantamento reproduz mensagens pesadas. Uma delas diz: “Primeiro a ser fuzilado… Flávio Dino, por ter proibido o acesso às armas”. Outra sugere: “invadir o STF e fazer com Moraes, Dino e Zanin igual fizeram com Tiradentes, cabecinha em praça pública”.
Todos os posts revelados por Dino são de outubro de 2026.
Dino responde: “Não precisa matar o juiz”
Na publicação, o ministro afirmou que o ódio expresso nas mensagens decorre da disseminação repetida de mentiras com o objetivo de estimular a violência. Em seguida, traçou uma linha clara entre discordar e ameaçar.
“Se as pessoas não concordam com decisões judiciais, elas podem recorrer aos Colegiados competentes. Não precisa matar o juiz que tomou a decisão, nem fazer discursos raivosos incitando perseguições e agressões”, disse Dino.
“Não existe mais Poder Judiciário”
O ministro garantiu que as ameaças não vão alterar sua atuação profissional. Mas chamou atenção para o efeito mais amplo do problema: o risco que esse tipo de ataque representa para a independência do Judiciário.
“Se um juiz passar a ter medo de decidir um processo, à vista do suposto risco de sofrer perseguições pessoais, não existe mais Poder Judiciário. Nem Constituição”, afirmou.
O que vem agora
A fonte não detalha quais providências serão tomadas a partir do relatório nem se os autores dos posts serão identificados. A divulgação do trecho, porém, tende a reforçar o debate sobre a segurança dos magistrados e o papel das plataformas digitais, num momento de clima político em ebulição.
Análise do Giro
Ameaça de morte não é opinião, e nenhuma causa, de qualquer lado do espectro político, justifica pregar violência contra quem quer que seja. Quem defende a liberdade precisa defender também o limite que a protege: criticar o Supremo, cobrar prestação de contas e discutir seus limites é direito legítimo do cidadão em uma democracia; pedir que alguém seja fuzilado é outra coisa. Misturar as duas coisas só enfraquece o debate sério, e é esse debate que a sociedade tem direito de fazer.
Com informações de CNN Brasil.



