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Morre aos 87 anos idosa despejada de casa onde vivia há 70 anos em Madri

Maricarmen Abascal morreu após ser retirada de maca do apartamento em que morava havia sete décadas. O caso agrava a crise política da moradia na Espanha.

Morre aos 87 anos idosa despejada de casa onde vivia há 70 anos em Madri
Foto: Pool Moncloa/ Carlos Spottorno de las Morenas / Attribution (Pedro Sánchez)

A morte de María del Carmen Abascal, a “Maricarmen”, de 87 anos, aumentou a tensão política na Espanha. Ela morreu na quarta-feira, após ser internada depois de despejada do apartamento em Madri onde morava havia sete décadas, segundo a agência Associated Press.

O caso ocorre em meio a protestos pelo país contra o custo da moradia. Esses protestos ajudaram a forçar uma eleição antecipada, convocada poucos dias antes da morte pelo primeiro-ministro Pedro Sánchez para 29 de novembro.

O despejo que virou símbolo

O despejo aconteceu em 23 de setembro e ganhou atenção nacional. Imagens mostraram a idosa, que usava cadeira de rodas, sendo carregada de maca para fora do imóvel.

A polícia isolou a rua e retirou manifestantes que tentaram impedir a ação. As cenas provocaram atos em Madri e em outras cidades espanholas, e Maricarmen se tornou símbolo da crise habitacional no país.

De acordo com a AP, a imobiliária responsável pelo despejo queria alugar o apartamento por um valor bem mais alto. Diante da pressão pública, a empresa acabou concordando que a idosa voltasse para casa. Ela morreu antes de conseguir retornar.

A causa da morte não foi divulgada.

Homenagens e reações políticas

Após a notícia, manifestantes se reuniram em frente ao Parlamento espanhol e na Puerta del Sol, praça central de Madri. Alguns fizeram um minuto de silêncio. Também gritaram que “Maricarmen vive” e que a luta continua.

Sánchez publicou mensagem de condolências na rede X. Ele enviou solidariedade à família e aos amigos dela e disse que muitos sentem a perda como se fosse própria.

O líder da oposição conservadora, Alberto Núñez Feijóo, também lamentou a morte. Ele pediu que ninguém use o caso para ganho político e defendeu que, diante da morte de uma pessoa, só cabe demonstrar respeito.

Crise da moradia pesa na eleição

O episódio aumenta a pressão sobre o Partido Socialista, de Sánchez. O governo não conseguiu aprovar no Parlamento medidas emergenciais para a habitação, e a eleição antecipada foi convocada depois disso.

A Espanha vive um momento de forte insatisfação com a alta dos aluguéis e com a dificuldade de acesso à moradia. O despejo e a morte de Maricarmen se tornaram ponto de encontro para ativistas que exigem mudanças nas regras de locação, enquanto o país se prepara para ir às urnas em novembro.

Análise do Giro

A morte de uma idosa após um despejo é uma tragédia humana que merece respeito, e o apelo de Feijóo para não explorar o caso politicamente é justo. Passada a comoção, o debate precisa ir à raiz do problema: aluguel caro costuma refletir falta de oferta de imóveis, e ela só se resolve com segurança jurídica para quem constrói e aluga, menos burocracia e menos impostos, sem improvisos que afastem investimento. Proteger famílias vulneráveis e respeitar o direito de propriedade não são objetivos incompatíveis.

Com informações de Fox News.

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