Um vídeo gravado em um celular reacendeu a pressão sobre a cúpula do poder em Brasília. As imagens mostram o procurador-geral da República, Paulo Gonet, em pelo menos um segundo momento no mesmo local que o banqueiro Vorcaro, durante um evento em Londres. Gonet havia dito que só esteve com ele uma única vez no encontro e que não sabia do patrocínio do Master.
O material também aponta que Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro Alexandre de Moraes, do STF, esteve envolvida na organização do evento.
Quem aparece nas imagens
A lista de presenças impressiona. Segundo as imagens, estiveram no encontro privado:
- o então ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski;
- o ex-presidente Michel Temer;
- o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues;
- o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB);
- o ministro do STJ Benedito Gonçalves;
- o presidente da Febraban, Isaac Sidney;
- o embaixador do Brasil no Reino Unido, Antonio Patriota, que aparece discursando.
O conteúdo do celular também documenta a chegada das autoridades ao jantar na capital britânica.
A versão de Gonet x as imagens
O ponto mais explosivo é a contradição. O procurador-geral afirmou que esteve com Vorcaro apenas uma vez em Londres e que desconhecia o patrocínio do Master ao encontro. As imagens, porém, mostram Gonet em pelo menos um segundo momento no mesmo local que o banqueiro. É isso que, segundo o material, contradiz a versão anterior dele sobre o envolvimento com a atividade.
O material não afirma que tenha havido irregularidade por parte de qualquer participante. O que as imagens levantam é uma pergunta incômoda: por que a versão pública não bate com o que o celular registrou?
O que pode vir agora
O caso envolve o PGR, o chefe da Polícia Federal e um ministro do Supremo, justamente as autoridades que têm papel central nas investigações ligadas ao Master. A tendência é que o vídeo gere cobranças por esclarecimentos, e o procurador-geral deve ser pressionado a explicar a diferença entre o que disse e o que aparece nas imagens. O portal não localizou, no material de origem, nova manifestação de Gonet, de Moraes ou dos demais citados sobre o vídeo.
Análise do Giro
Eventos privados não são crime, mas quando quem investiga e quem julga aparece ao lado do banqueiro no centro de um escândalo, a transparência deixa de ser opcional. Se a versão de Gonet não resiste às imagens, cabe a ele explicar o descompasso publicamente, sem corporativismo. O cidadão que paga a conta de Brasília tem o direito de saber com quem as autoridades jantam e por quê.
Com informações de Topic News.



