Ela existiu, mas o amor não foi de Netinho. Na semana em que o cantor morreu, aos 60 anos, em Salvador, nesta terça-feira (13), uma curiosidade volta a chamar atenção: a mulher que inspirou “Milla” foi uma paixão de verão vivida por Manno Góes, compositor da música ao lado de Tuca Fernandes.
Um namoro de três meses em Mar Grande
A história foi contada pelo próprio Manno ao Fantástico, em 2015, no quadro “Musas Populares Brasileiras”. Nos verões de 1986 e 1987, ele frequentava Mar Grande, na Ilha de Itaparica, na Bahia. Foi lá que conheceu a jovem que viraria personagem da canção.
O romance durou apenas três meses. Terminou quando ela precisou se mudar para Recife.
“Milla existiu realmente. Foi um amor de verão que aconteceu em Mar Grande, como a música retrata”, afirmou Manno na entrevista.
O reencontro que ninguém esperava
O enredo ainda teve uma virada. Anos depois, por coincidência, a mulher foi morar no mesmo prédio do compositor. Em 2015, Manno explicou que os dois já estavam casados, tinham filhos e haviam seguido suas vidas.
A revelação respondeu a uma dúvida antiga do público. A voz que cantava a história era a de Netinho, mas a memória afetiva por trás da letra pertencia a outro artista.
De um romance de verão a fenômeno de vendas
“Milla” ganhou projeção nacional no álbum Netinho ao Vivo!, gravado em Aracaju e lançado em 1996. O cantor já havia começado a carreira solo, depois de conquistar o público à frente da Banda Beijo, e encontrou na faixa uma de suas marcas mais duradouras.
Segundo a biografia oficial do cantor, o disco ultrapassou três milhões de cópias vendidas. A música ganhou versões em mais de oito idiomas, entre eles o russo. Em 2018, a gravação voltou à TV na trilha sonora de Segundo Sol.
O que vem agora
Com a morte de Netinho, a canção tende a voltar ao centro das homenagens e a ser redescoberta por quem não viveu os anos 1990. O romance breve de Mar Grande virou uma das músicas mais lembradas da axé music.
Análise do Giro
A história de “Milla” lembra que a boa música popular brasileira nasce de histórias simples e verdadeiras, como um amor de verão na Bahia, e por isso atravessa décadas e fronteiras. É uma herança cultural que merece ser preservada e lembrada, e que mostra o valor de quem cria com talento e sem depender de modismos.
Com informações de Bacci Últimas.



