Um quarto que seria pintado de rosa. Uma promessa entre duas irmãs. Um futuro que acabou a tiros. Em Taboão da Serra, na Grande São Paulo, o velório de Ana Clara Soares de Oliveira, de 19 anos, realizado nesta terça-feira (13), virou um grito por justiça. A jovem morreu em um caso investigado pela Polícia Civil como feminicídio.
A promessa que ficou pelo caminho
Quem contou a história foi a prima Maria Aparecida, em entrevista à equipe do Bacci Notícias. Emocionada, ela lembrou o plano que Ana Clara tinha para quando começasse a trabalhar.
“Quando a mana começar a trabalhar, nós vamos pintar o nosso quarto de rosa”, foi a promessa que a jovem fez à irmã mais nova, segundo o relato da prima.
Ana Clara, segundo a familiar, estava cheia de planos e se preparava para uma entrevista de emprego na semana seguinte. “Uma menina cheia de sonhos. Nem tinha começado a viver direito”, afirmou Maria Aparecida.
“Aquelas famosas recaídas”
A prima contou que Ana Clara foi criada junto com os filhos dela e que a família acompanhava de perto o relacionamento. Os parentes, segundo ela, aconselhavam a jovem a se afastar do ex-companheiro, mas o casal acabava reatando depois de cada separação.
“Um relacionamento conturbado. A família toda dava conselho para ela se afastar. E ela falava que ia se afastar. E depois tinha aquelas famosas recaídas”, relatou.
De acordo com as informações que a família tinha, o namoro durou cerca de quatro anos, entre términos e reconciliações. Maria Aparecida disse que o suspeito teria ficado preso por um período e, ao voltar, continuou tentando reatar com a jovem.
O apelo: leis cumpridas a rigor
Ao pedir justiça, a prima cobrou que a lei seja aplicada com firmeza. “Justiça e que venham as leis. Já existem as leis, mas que elas venham a ser mais endurecidas e cumpridas a rigor”, declarou.
Ela também pediu que pais e mães conversem com os filhos sobre relacionamentos abusivos e violência contra a mulher, com palestras nas escolas. “Chega de matar mulheres nesse país. Vamos dar um basta nisso. Palestras em escolas. Falar mais sobre isso. Feminicídio, gente. Está virando comum”, disse.
Maria Aparecida demonstrou preocupação com a mãe de Ana Clara e com os irmãos que ficaram sem a jovem. Voltou a citar a irmã mais nova e o quarto rosa, um plano que as duas não poderão mais realizar juntas.
O que diz a investigação
O crime ocorreu na madrugada de segunda-feira (12), em uma residência no bairro Jardim Três Marias. Ana Clara foi atingida por um disparo de arma de fogo e morreu no local.
O principal suspeito é o ex-companheiro, Mateus Isaac Cardoso Silva, de 22 anos, conhecido como “Jacó”. Segundo o boletim de ocorrência, ele teria contado a um amigo que atirou na vítima e deixado o local. O registro diz ainda que ele teria procurado familiares para pedir ajuda para fugir.
Familiares relataram às autoridades que o relacionamento era marcado por conflitos, ameaças e episódios anteriores de violência. A Polícia Civil faz buscas para localizar o suspeito. Até o momento, a fonte não informa a prisão dele.
Análise do Giro
O caso de Ana Clara mostra que a lei existe, mas a proteção real à mulher depende de ela ser aplicada com rigor, com resposta rápida a ameaças e a episódios de violência já relatados. A família é a primeira rede de proteção, como a prima deixou claro, mas não pode ser a única: cabe ao Estado garantir que quem ameaça seja contido antes que seja tarde.
Com informações de Bacci Últimas.



