Na noite anterior à prisão, Daniel Vorcaro ainda procurava respostas na inteligência artificial. O ex-controlador do Banco Master perguntou ao ChatGPT quem eram os juízes das varas criminais de Brasília. No dia seguinte, 17 de novembro de 2025, foi preso pela Polícia Federal no Aeroporto de Guarulhos, prestes a embarcar num avião particular rumo a Dubai.
O histórico foi encontrado pela PF no celular apreendido do empresário e revelado pela revista piauí. São 151 perguntas, feitas entre 19 de maio e 16 de novembro daquele ano.
O que ele queria saber
Do total, 57 consultas tratavam do Banco Central, da crise do Master e do mercado financeiro. O restante envolvia viagens, saúde, religião, reputação e interesses pessoais.
As datas chamam atenção. Em 14 de agosto, Vorcaro digitou o próprio nome na ferramenta e recebeu informações sobre sua atuação empresarial. Em 21 de agosto, perguntou quem eram os diretores do Banco Central. Na véspera, havia pedido uma audiência com o presidente do BC, Gabriel Galípolo, mas o encontro não aconteceu.
Em 30 de agosto, quis saber quais eram os requisitos e as regras para pedir o impeachment de um diretor do BC. Cerca de 40 minutos antes, ele havia enviado pergunta semelhante ao advogado Marcel Mascarenhas pelo WhatsApp. No dia seguinte, consultou a IA sobre quais banqueiros brasileiros já haviam sido presos.
Em 3 de setembro, o BC vetou a compra do Master pelo Banco Regional de Brasília.
Banqueiro, endereço e a reta final
Em 4 de outubro, Vorcaro pesquisou informações sobre Luís Octávio Índio da Costa, ex-banqueiro ligado ao Cruzeiro do Sul, e perguntou onde ele morava. Segundo a reportagem, o ChatGPT não deu endereço residencial, mas apresentou uma localidade associada ao perfil profissional dele.
As últimas consultas foram sobre a Justiça Federal. Na noite de 15 de novembro, ele perguntou quem eram os juízes das varas criminais da capital federal. Em 16 de novembro, fez a última pergunta registrada: quais eram as varas criminais federais de Brasília.
Ao longo desse período, segundo a fonte, o Master enfrentava dificuldades e buscava alternativas para sua situação financeira.
O que vem agora
O material reforça o peso das provas digitais no caso, e o celular de Vorcaro continua sendo fonte de revelações. Resta saber se o histórico será usado pelos investigadores para reconstituir a linha do tempo dos meses que antecederam a prisão. A fonte não aponta nenhuma conclusão da PF sobre o significado das perguntas.
Análise do Giro
Consultar um chatbot não é crime, e o histórico, por si só, não prova nada além do que o próprio banqueiro quis saber. Mas a sequência de perguntas sobre o BC, banqueiros presos e juízes criminais de Brasília, enquanto o Master afundava, é um retrato que o público tem o direito de ver investigado até o fim, com transparência e sem seletividade. Quem paga a conta de crises financeiras no Brasil é sempre o contribuinte, e é ele quem merece respostas.
Com informações de Revista Oeste.



