A investigação que prometia agitar a eleição acabou na gaveta. A Polícia Federal (PF) arquivou nesta quarta-feira, 7 de outubro de 2026, a apuração sobre uma suposta interferência dos Estados Unidos nas eleições brasileiras. O motivo: a corporação não encontrou indícios mínimos de ilícito que sustentassem a tese de que o governo de Donald Trump teria agido no processo eleitoral. A informação foi divulgada pelo jornal O Globo.
Anunciada com alarde no dia da votação
O caso ganhou o noticiário no domingo do primeiro turno, quando o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, anunciou a abertura da apuração. Segundo ele, o ponto de partida foi um pedido da Advocacia-Geral da União (AGU).
“Recebemos uma representação da AGU sugerindo apuração de interferência externa”, declarou o diretor-geral. Ele explicou que o material foi encaminhado à Diretoria de Inteligência e que se tratava de um procedimento prévio. Também admitiu que a portaria do inquérito não havia sido publicada, mas afirmou que já existia uma investigação em curso.
O pedido da AGU e a reportagem do The Guardian
A solicitação partiu da AGU, comandada por Jorge Messias, na quinta-feira, dia 1º. O gatilho foi uma reportagem do jornal britânico The Guardian, intitulada “Governo Trump desvia recursos destinados aos direitos humanos para promover uma agenda de extrema direita no exterior”.
Messias classificou a informação como “especialmente grave diante do processo eleitoral brasileiro em curso e dos episódios recentes de pressão externa sobre as instituições brasileiras, conforme amplamente noticiado”.
No ofício enviado à PF, o advogado-geral detalhou o objetivo. Ele queria apurar se o recebimento de capital estrangeiro para promover ataques sistemáticos à soberania nacional e às instituições do Sistema de Justiça poderia revelar uma estrutura de ingerência externa. Pedia, ainda, a identificação dos eventuais destinatários dos recursos em território brasileiro, para avaliar responsabilidade penal, conforme as condutas de cada um.
Resposta à AGU, e só?
Dentro da PF, prevalece a leitura de que a fala de Andrei Rodrigues serviu apenas para dar uma resposta à AGU, num momento em que a apuração ainda estava em estágio preliminar. Ou seja: o anúncio feito no dia da eleição não evoluiu para uma investigação formal com elementos concretos.
O que vem agora
A fonte não informa se a AGU vai recorrer, reagir ou apresentar novos elementos. Também não detalha se o arquivamento é definitivo. Fica a expectativa sobre como o governo e a AGU vão se posicionar diante da decisão da PF e se haverá novos desdobramentos políticos em torno do tema.
Análise do Giro
Um caso desse peso, com acusação de interferência estrangeira, anunciado no dia do primeiro turno, exige cautela e provas antes de ocupar o debate público. O arquivamento por falta de indícios mínimos reforça que investigações sobre temas sensíveis não devem ser usadas para produzir ruído em plena eleição. Quem defende a liberdade e as instituições fortes espera que o rigor técnico prevaleça sobre a conveniência política.
Com informações de Paulo Figueiredo Show.



