A campanha de Flávio Bolsonaro (PL) levou a disputa presidencial para dentro do Tribunal Superior Eleitoral. Os advogados do candidato pediram a cassação da chapa formada por Lula e Geraldo Alckmin. Eles acusam uma rede de perfis no Instagram de espalhar conteúdo falso contra Flávio logo depois do primeiro turno. O pedido chega no momento mais sensível da campanha, entre as duas votações.
Os números que sustentam a acusação
A Ação de Investigação Judicial Eleitoral (AIJE) afirma que 218 publicações foram classificadas como falsas ou descontextualizadas. Juntas, teriam somado 11,6 milhões de visualizações em cerca de 62 horas.
O levantamento é bem mais amplo. Ele analisou 2.856 publicações de 146 perfis, entre 5 e 7 de outubro.
A representação chama o episódio de “o maior registro de abuso de poder já ocorrido na história democrática do Brasil”.
A “teia” que a campanha diz ter mapeado
Segundo o material apresentado ao TSE, 74% das postagens usaram o recurso de coautoria entre contas diferentes do Instagram. A rede mapeada teria 1.525 contas, ligadas por 5.882 conexões e distribuídas em 16 comunidades.
A ação cita nominalmente dois políticos, Thiago Resiste e Leonel Radde. Para eles, porém, a campanha pede apenas monitoramento, e não bloqueio.
O que Flávio quer que o TSE faça
O pedido tem duas frentes. A primeira é imediata: a suspensão temporária de 32 perfis até o fim do segundo turno. A segunda é no mérito: cassação do registro e inelegibilidade por oito anos.
A campanha também solicita:
- o impedimento do recurso de coautoria entre os perfis listados;
- a remoção de 221 publicações em até 24 horas;
- a proibição de divulgar as narrativas contestadas, com ressalva para crítica e opinião legítima;
- multa de R$ 100 mil por hora para as plataformas e de R$ 50 mil por publicação para os responsáveis.
A defesa de Flávio afirma que a medida não deve atingir a crítica, a opinião e a divulgação de fatos verdadeiros.
O que vem agora
Cabe ao TSE avaliar duas questões. A primeira é se há comprovação técnica de coordenação entre as contas. A segunda é se os conteúdos configuram abuso de poder eleitoral ou exercício legítimo da liberdade de expressão política. O tema divide a jurisprudência. Qualquer decisão sobre a suspensão dos perfis precisa sair rápido para ter efeito antes do segundo turno.
Análise do Giro
Combater a desinformação é legítimo, mas num país onde a liberdade de expressão já é alvo de tantas disputas, o TSE precisa de provas técnicas sólidas antes de suspender perfis ou punir candidatos. A própria campanha de Flávio reconhece o limite ao ressalvar a crítica e a opinião. Uma decisão bem fundamentada vale mais que uma decisão rápida, e o eleitor merece uma disputa decidida nas urnas, com transparência e sem censura prévia.
Com informações de Topic News.



