Ela foi anunciada na quarta-feira (7) como reforço da campanha de Lula e, menos de 48 horas depois, apagou o perfil no X. Ana Elisa Santos Silva, 21 anos, deputada federal eleita pelo PT de Minas Gerais com 524 mil votos, desativou a conta pouco antes das 22h de quinta, depois de uma enxurrada de publicações antigas que voltaram a circular e viraram dor de cabeça para o comando petista.
Do encontro com Lula ao tiroteio nas redes
Na quarta, Ana Elisa se reuniu com Lula e foi apresentada na imprensa como integrante do núcleo de estratégia digital da campanha no segundo turno. Na quinta, estreou no papel gravando um vídeo em que pedia que a “direita não bolsonarista” votasse no petista.
A resposta veio rápido. O deputado Nikolas Ferreira divulgou a captura de tela de um tuíte em que a parlamentar, em 2022, dizia que Lula deveria “fechar igrejas”. Ela rebateu mais de uma vez e disse que a imagem era falsa.
Outros registros apareceram
Segundo levantamento do Jornal da Cidade Online, porém, registros em arquivo mostram publicações muito parecidas. Em 15 de fevereiro de 2023, ao responder à conta Choquei, que pedia uma nota para o início do terceiro mandato de Lula, ela escreveu: “7 até por que não fechou as igrejas como o prometido” (sic). Em 4 de abril do mesmo ano, repetiu: “lula para de fazer coisas boas para o Brasil, cadê o kit gay e o fechamento de igrejas?”.
Na época, ela tinha 17 anos. A reportagem afirma que, depois da maioridade, ela manteve a antipatia pelas igrejas. Também diz que a deputada amplificou, no primeiro turno, uma versão falsa sobre Nossa Senhora Aparecida.
Moraes: a mudança de tom
O levantamento também destaca uma guinada sobre o STF. Em 15 de setembro de 2026, em campanha, Ana Elisa disse que não era o momento de “a esquerda estar defendendo Alexandre de Moraes” nem de “passar pano para os erros e as atrocidades que acontecem no STF”. Em julho de 2025, quando surgiram as sanções Magnitsky contra o ministro, ela havia escrito: “TODA A MINHA SOLIDARIEDADE A ALEXANDRE DE MORAES”.
Em março de 2025, segundo o texto, ela sugeriu que quem defendesse Bolsonaro deveria ser acusado de tentativa de golpe. Em junho de 2024, também reagiu à aprovação do regime de urgência do PL 1904/2024, de Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), que pretendia equiparar o aborto após a 22ª semana ao homicídio.
A ameaça e o teste de IA
Em 6 de setembro, Ana Elisa disse ter sido alvo de uma ameaça por e-mail, de um suposto “supremacista branco”, com promessa de estupro e morte. O caso voltou à imprensa depois do convite da campanha.
A então candidata publicou a carta quase na íntegra e uma nota assinada pela advogada Maria Júlia A. Alvim. A reportagem submeteu os textos à ferramenta Pangram, que tenta identificar conteúdo feito com inteligência artificial. Segundo a ferramenta, 94% da nota da advogada e 100% da carta teriam sido gerados por IA. A empresa responsável informa taxa de acerto de 99,01% e de falsos positivos de 0,0078% em português. É um resultado de software, não uma perícia oficial.
O que vem agora
Até a publicação da reportagem, o Instagram dela, com 3,2 milhões de seguidores, seguia no ar, inclusive com o vídeo em que ela chama de forjada a imagem mostrada por Nikolas. O X tinha 142 mil seguidores. Resta saber se a campanha de Lula manterá a deputada na linha de frente digital ou se ela será recolhida a poucos dias da decisão.
Análise do Giro
Opiniões de adolescente merecem contexto, mas a estratégia de apagar o perfil em vez de explicar o que foi dito costuma alimentar ainda mais a desconfiança do eleitor. Quem pede votos da direita moderada precisa de transparência sobre o próprio histórico, sobretudo quando o tema é a liberdade religiosa, valor caro a milhões de famílias brasileiras.
Com informações de Jornal da Cidade Online.



