Um contato salvo como “Alexandre de Moraes BRASÍLIA” aparece no celular do banqueiro Daniel Vorcaro, e o relatório da Polícia Federal contabiliza 52 mensagens enviadas a ele. O caso, ligado ao escândalo do Banco Master, ganha um ponto sensível: o celular do ministro, segundo o material analisado, nunca passou por perícia.
O que a PF encontrou no aparelho de Vorcaro
Segundo o relatório, as mensagens tiveram respostas em texto e em imagens de visualização única, aquelas que desaparecem depois de vistas. A PF também registra encontros presenciais, inclusive em residências privadas.
Os investigadores foram além do que estava à vista. A PF recuperou prints apagados e reconstruiu diálogos a partir do aparelho do banqueiro. Há ainda menções a contatos com o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, e com o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues.
O celular que ficou de fora
O contraste é o que acende o debate. O aparelho de Vorcaro foi esmiuçado. O de Moraes, de acordo com o texto de origem, nunca foi periciado. O mesmo texto afirma que o ministro trocou de aparelho e de chip em fevereiro de 2026, no meio das investigações.
Nada nessa informação, por si só, estabelece irregularidade. Mas o episódio alimenta a pergunta que cresce nos bastidores: por que um lado da conversa foi vasculhado e o outro não?
Mendonça, a PF e o prazo do STF
O relatório traz outro ponto delicado. Conforme a PF, Mendonça determinou ações de investigação contra Moraes “sem autorização específica”. Enquanto isso, o STF adia a discussão sobre a abertura de um inquérito contra o colega, o que, na avaliação do texto de origem, preserva o ministro por prazos que um réu comum não teria.
O material não traz manifestação de Moraes sobre as mensagens, os encontros ou a troca de aparelho.
O que vem pela frente
Três perguntas ficam no ar. O Supremo vai decidir sobre o inquérito? O celular do ministro será periciado? Ou o tema seguirá empurrado para depois, num momento em que a Corte já está sob pressão por outras frentes? As respostas devem definir se o caso esfria ou se vira o centro de uma crise institucional.
Análise do Giro
Em um país que cobra transparência de todos, a confiança no Judiciário depende de que as mesmas regras valham para quem julga e para quem é julgado. Sem acusar ninguém de nada, o caso mostra que, quando o relatório da PF cita um ministro, o caminho mais saudável para a credibilidade do STF é esclarecer os fatos com abertura, e não adiar a conversa.
Com informações de Jornal da Cidade Online.



