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Nobel da Paz 2026: jurista sul-africana Navi Pillay, de 85 anos, é a premiada

Do apartheid aos tribunais do genocídio em Ruanda: a trajetória de Navi Pillay, a jurista de 85 anos que acaba de conquistar o Nobel da Paz 2026.

Nobel da Paz 2026: jurista sul-africana Navi Pillay, de 85 anos, é a premiada
Foto: Antônio Cruz (Agência Brasil) / CC BY 3.0 br (Navanethem Pillay)

O mundo tem nome para o Nobel da Paz 2026: Navanethem “Navi” Pillay, jurista sul-africana de 85 anos. O anúncio foi feito pelo Comitê Norueguês do Nobel, em Oslo, nesta sexta-feira (10), e coloca sob os holofotes uma mulher que passou a vida inteira dentro de tribunais.

Segundo o presidente do comitê, Jørgen Watne Frydnes, ela foi premiada “por seus esforços para promover a paz e o direito internacional”.

De um bairro pobre de Durban às cortes mais duras do planeta

A história de Pillay não começou em salões diplomáticos. Ela nasceu em 23 de setembro de 1941, em um bairro pobre de Durban, na África do Sul. De etnia tâmil, povo do sul da Índia com grande comunidade no país, é filha de um motorista de ônibus. Em 1965, casou-se com o advogado Gaby Pillay.

Começou a advogar em pleno apartheid, o sistema de segregação racial que dividia a população por cor de pele e reservava a maior parte dos direitos políticos e civis à minoria branca. Era um país em que pessoas como ela tinham direitos limitados por lei.

O Congresso Nacional Africano (CNA), partido que liderou a luta contra o regime, a descreve como uma ativista anti-apartheid cuja trajetória se confunde com a história da libertação do país.

Primeira mulher não branca na Suprema Corte

Com o fim da segregação, Pillay virou a primeira mulher não branca a integrar a Suprema Corte da África do Sul. Foi um marco para quem começou a carreira num sistema feito para excluí-la.

A carreira, porém, não parou nas fronteiras sul-africanas. Ela atuou como juíza do Tribunal Penal Internacional e presidiu o Tribunal Penal Internacional para Ruanda, criado para julgar os responsáveis pelo genocídio de 1994 naquele país africano. Ou seja: passou das cortes do apartheid às que julgam alguns dos piores crimes cometidos contra civis.

Seis anos como voz da ONU contra violações

Entre 2008 e 2014, Pillay ocupou o cargo de Alta Comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos, a principal autoridade da ONU dedicada a acompanhar violações cometidas por governos no mundo inteiro.

É esse conjunto, da luta contra a segregação à atuação em tribunais e órgãos internacionais, que o comitê norueguês reconhece agora com um dos prêmios mais prestigiados do planeta.

O que vem por aí

Com o anúncio feito em Oslo, as atenções se voltam para a cerimônia de entrega e para como a premiação será recebida e debatida em diferentes governos e organizações. O Nobel costuma abrir discussões sobre o papel do direito internacional, e a escolha de uma jurista com esse perfil tende a reforçar o tema.

Análise do Giro

A trajetória de Pillay contra o apartheid e a favor de vítimas de genocídio merece respeito, e a defesa de direitos básicos contra regimes opressores é valor universal. Ao mesmo tempo, o prêmio reacende um debate saudável: o direito internacional e os órgãos supranacionais só merecem confiança quando aplicam as mesmas regras a todos os governos, sem seletividade e sem atropelar a soberania e as liberdades dos cidadãos. É essa coerência que o público deve cobrar.

Com informações de Jornal da Cidade Online.

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