O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, soltou o verbo sobre a eleição para o Senado no estado. Em entrevista ao Arena Oeste nesta quinta-feira (8), ele afirmou que a união da direita foi decisiva para eleger dois senadores do mesmo campo político já no primeiro turno e resumiu o placar sem rodeios: “Foi uma surra, não foi uma vitória.”
O gesto que mudou o jogo
No centro da articulação está o acordo que levou Ricardo Salles (Novo) a abrir mão da disputa e apoiar André do Prado (PL). Para Tarcísio, o episódio mostra que “preponderou o bom senso”. A decisão, segundo ele, evitou a divisão de votos entre candidatos do mesmo espectro ideológico e ampliou as chances da direita.
O governador contou que procurou Salles por causa do risco de perder uma das duas vagas em disputa. O argumento foi a viabilidade eleitoral indicada pelas pesquisas. “Se eu estou tendo [essa conversa] com você é porque a gente tem dois candidatos que hoje são mais viáveis e a gente precisa de um gesto seu”, relatou.
Tarcísio também fez questão de dizer que não queria Salles fora do grupo. “Você não pode estar fora desse grupo. Você tem competência, talento, inteligência, preparo, então você precisa estar do nosso lado”, disse ao ex-ministro do Meio Ambiente. Ao elogiar a postura, destacou duas qualidades: coragem e humildade.
“A gente aposentou as senadoras da esquerda”
O tom subiu quando o assunto foi o resultado nas urnas. “São Paulo nos deu um presente, elegeu os nossos dois senadores”, declarou o governador. Ele também celebrou a derrota de Marina Silva (Rede) e Simone Tebet (MDB), apresentadas por ele como candidatas da esquerda: “A gente aposentou as senadoras da esquerda que vieram aqui de forma oportunista tentar a cadeira no Senado”.
Recado para além de São Paulo
Tarcísio não ficou só no balanço paulista. Defendeu que a união de partidos e lideranças conservadoras seja ampliada para o resto do país. Na avaliação dele, a fragmentação do campo político enfraquece a capacidade de enfrentar os adversários e de conquistar espaço nas instituições.
“A gente precisa enfrentar a esquerda, varrer a esquerda do Brasil, porque a esquerda representa o atraso, e a gente vai conseguir fazer isso se a gente estiver junto”, declarou.
O recado chega com o segundo turno da disputa presidencial no horizonte. A pergunta que fica é se o modelo paulista de abrir mão de projetos individuais em nome de um objetivo comum vai ser repetido em outros estados e na campanha nacional.
Análise do Giro
A experiência de São Paulo ensina algo simples: quando o campo conservador deixa vaidades de lado e escolhe o candidato mais viável, as chances de vitória crescem. O gesto de Salles, reconhecido pelo próprio Tarcísio, é um exemplo de pragmatismo que pode inspirar outros estados. Resta saber se a direita conseguirá manter essa coesão depois da eleição, quando as divergências costumam aparecer.
Com informações de Revista Oeste.



