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Política

Paes ‘escondeu’ Lula, perdeu o Rio e agora promete ajudar o petista no 2º turno

Derrotado por Douglas Ruas, o ex-prefeito é cobrado por setores do PT e deve subir o tom pró-Lula. Nos bastidores, o presidente teria reclamado.

Paes 'escondeu' Lula, perdeu o Rio e agora promete ajudar o petista no 2º turno
Foto: Lula Oficial / CC BY-SA 2.0 (Eduardo Paes)

Depois de ser derrotado no primeiro turno na disputa pelo governo do Rio de Janeiro, o ex-prefeito Eduardo Paes (PSD) promete dar uma força que o PT diz não ter recebido: engajar-se na campanha de reeleição de Lula no segundo turno. A mudança de postura vem depois de críticas de setores petistas, que o acusam de ter “escondido” o presidente durante a corrida estadual.

O ‘sumiço’ de Lula na campanha de Paes

Segundo o material apurado, Paes teria evitado aparições públicas ao lado do presidente e não mencionava o petista em declarações e entrevistas. Pelos bastidores, o próprio Lula teria se incomodado e reclamado do comportamento do aliado.

Agora, de acordo com informações do UOL, a expectativa do PT é que o ex-prefeito passe a declarar apoio a Lula de forma pública e mais enfática, principalmente nas redes sociais.

A conta que preocupa o PT no Rio

Há motivo para a pressa. Integrantes da equipe de campanha de Lula acreditam que o apoio explícito de Paes pode atrair um outro perfil do eleitorado fluminense.

No primeiro turno, o presidente não conseguiu aumentar sua votação em regiões importantes do estado, como a Baixada Fluminense. Os números chamam atenção:

  • Duque de Caxias: 18.964 votos a menos do que em 2022;
  • Nova Iguaçu: 13.419 votos a menos;
  • São João de Meriti: 11.368 votos a menos.

Até o PSD faz silêncio

O PT também observa com preocupação o movimento dentro do PSD, partido de Paes. Deputados estaduais e federais da legenda que haviam apoiado Lula em 2022 ainda não se manifestaram publicamente a favor do presidente. Ou seja: além de ter de convencer o eleitor, o petista ainda precisa segurar aliados que, por enquanto, preferem o silêncio.

Derrota, Garotinho e a terceira tentativa frustrada

Paes foi derrotado por Douglas Ruas (PL). A vitória foi sacramentada já no primeiro turno, depois da decisão da Justiça Eleitoral de anular os votos recebidos pelo ex-governador Anthony Garotinho (Republicanos). O ex-prefeito reconheceu o resultado e disse que não apresentará novas contestações.

“A eleição termina, mas o meu amor pelo Rio e o meu compromisso com o povo fluminense continuam os mesmos”, afirmou em nota publicada nas redes sociais. Ele acrescentou que o PSD e o grupo político “seguirão vigilantes, acompanhando e cobrando resultados de um governo que representa a continuidade do grupo político que está no poder há oito anos”.

Foi a terceira tentativa de Paes de chegar ao Palácio Guanabara, e a terceira derrota. Em 2006, ainda no PSDB, ele teve pouco mais de 5% dos votos válidos e ficou em quinto lugar. Em 2018, foi ao segundo turno, mas perdeu para Wilson Witzel, com 40,13%.

O que vem agora

O segundo turno dirá se o apoio tardio e mais barulhento de um candidato derrotado terá algum efeito nas urnas fluminenses, ou se o estrago na Baixada já está feito. A campanha de Lula aposta na primeira hipótese. O silêncio de parlamentares do PSD indica que a tarefa não será simples.

Análise do Giro

A história escancara uma contradição: aliados que se afastam do presidente quando a disputa é local e só voltam a abraçá-lo quando o PT cobra a fatura. Quando o próprio candidato do campo governista evita a imagem de Lula, o dado é político e diz muito sobre o clima nas ruas do Rio, como mostram as perdas de votos na Baixada. Resta ao eleitor avaliar se um apoio de última hora, depois da derrota, é convicção ou conveniência.

Com informações de Revista Oeste.

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