Um site que prometia criptomoedas a quem espalhasse conteúdo favorável a Flávio Bolsonaro nas redes foi suspenso pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A decisão saiu na sexta-feira (9), assinada pela ministra Estela Aranha, e provocou reação imediata: a campanha do senador afirma que não conhece os responsáveis e que não tem nada a ver com o caso.
O pedido partiu da campanha de Lula
A ação foi apresentada pela campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O alvo era o Brasil 22 Token, projeto que distribuía tokens, ativos digitais, a usuários que compartilhassem publicações a favor de Flávio Bolsonaro (PL), inclusive mensagens de incentivo ao voto no número 22.
Pelo que descreve a decisão, o mecanismo era simples. O usuário publicava conteúdo relacionado ao projeto, enviava o link da postagem e informava uma carteira digital para receber as moedas.
O que a ministra decidiu
Estela Aranha avaliou que a iniciativa poderia ultrapassar os limites da manifestação espontânea de apoiadores e representar uma vantagem econômica ligada à divulgação de propaganda eleitoral. Por isso, mandou os responsáveis interromperem imediatamente a oferta ou a distribuição de tokens condicionada à publicação de conteúdos sobre o projeto ou a candidatura de Flávio.
A ministra também determinou que plataformas como X, Facebook e Instagram preservem informações sobre os perfis envolvidos na divulgação. A empresa responsável pela corretora Binance no Brasil foi acionada para fornecer dados cadastrais das contas usadas na movimentação dos ativos.
Perfil com 12,9 milhões de seguidores e crianças de Uganda
O caso veio à tona depois de reportagem da Folha de S.Paulo. Segundo o jornal, o projeto era divulgado por um perfil do Instagram com cerca de 12,9 milhões de seguidores, ligado a uma iniciativa de arrecadação de recursos para crianças em Uganda, na África.
Os vídeos do perfil mostravam crianças com camisetas da marca B22 Token, incentivando a divulgação do projeto e o voto em Flávio Bolsonaro.
Campanha de Flávio nega e vai à Justiça
A campanha de Flávio Bolsonaro disse que desconhece os responsáveis pelo site e negou qualquer vínculo com a iniciativa ou com a venda de criptomoedas. A equipe jurídica do candidato informou ainda que tomou medidas judiciais nas esferas eleitoral, cível e criminal para contestar o projeto e pedir a retirada da página do ar.
O que vem agora
Com a preservação dos dados das plataformas e das informações cadastrais da corretora, o caminho fica aberto para identificar quem está por trás do site e do perfil que o divulgava. A resposta a essa pergunta deve definir se o episódio termina como iniciativa isolada de terceiros ou ganha novos capítulos na Justiça Eleitoral.
Análise do Giro
Numa eleição acirrada, qualquer iniciativa de terceiros usando o nome de um candidato vira munição, e a campanha rival foi rápida em acionar o TSE. Os fatos até aqui mostram que a campanha de Flávio nega ligação e já foi à Justiça pedindo a retirada do projeto, o que é a postura esperada. Cabe agora apurar quem criou o site, sem condenar ninguém por antecipação e sem transferir ao candidato a responsabilidade por quem diz agir em seu nome sem sua autorização.
Com informações de Bacci Notícias.



