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Política

Mendonça dá 3 horas e manda CUT apagar 5 posts contra Flávio Bolsonaro no Instagram

Ministro do TSE vê 'aparente ilicitude' em propaganda eleitoral no perfil da central sindical e aciona a Meta. Posts ligavam Flávio a Escritório do Crime e perda do Pix.

Mendonça dá 3 horas e manda CUT apagar 5 posts contra Flávio Bolsonaro no Instagram
Foto: Rosinei Coutinho/STF / Attribution (André Mendonça)

O relógio começou a correr contra a Central Única dos Trabalhadores. Neste domingo (11/10), o ministro André Mendonça, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), atendeu a um pedido da campanha de Flávio Bolsonaro (PL) e mandou a CUT apagar cinco postagens do Instagram. A Meta também foi notificada e tem três horas para tirar o conteúdo do ar.

‘Aparente ilicitude’ no perfil da CUT

Na decisão, Mendonça afirma haver “aparente ilicitude da veiculação de propaganda eleitoral no perfil institucional de pessoa jurídica”. Ou seja: uma entidade sindical usando o próprio perfil para fazer campanha contra um candidato à Presidência, na reta final da disputa.

O que dizem os cinco posts derrubados

O ministro foi destrinchando, um a um, os conteúdos que mandou remover:

Escritório do Crime: uma publicação atribui a Flávio vínculos com o grupo, “sem demonstração, nesta fase, de suporte concreto para a imputação”, segundo Mendonça.

Salário mínimo e aposentadorias: outro post sustenta que o mínimo deixaria de subir e que as aposentadorias seriam congeladas com a eleição de Flávio. Para o ministro, o conteúdo apresenta “como consequência certa uma medida futura cuja adoção não foi demonstrada”.

“Tal pai, tal filho”: a terceira peça diz que o plano de governo de Flávio “põe aposentadorias em risco”. A legenda alega que o reajuste de 28 milhões de aposentados e beneficiários do BPC “pode estar em risco”. Mendonça entendeu que as circunstâncias “recomendam maior cautela na avaliação da natureza factual ou opinativa da mensagem” e mandou excluir com urgência.

Pix: a quarta postagem avisa que “com Flávio, você vai perder o Pix” e diz que ele cederá à pressão de Trump. O ministro apontou ausência de “suporte fático suficiente para essa conclusão”.

Folga semanal: a quinta afirma que “com Flávio, você vai perder sua folga da semana”. As centrais sindicais defendem que o descanso semanal remunerado não é “folga real”. Mendonça lembrou que ele é garantia constitucional, “distinta da discussão política acerca da redução da jornada de trabalho e da escala 6×1”.

O que o ministro NÃO concedeu

A decisão não foi uma vitória total. A campanha de Flávio também pedia censura prévia contra futuros posts da CUT, e Mendonça rejeitou esse ponto. O ministro ressalvou que há “questões relevantes quanto à veracidade das afirmações e aos limites da crítica política”, e que a apreciação definitiva só virá após o contraditório, com análise de cada publicação.

O que vem agora

A CUT ainda pode se manifestar, e o mérito será julgado depois da defesa. Até lá, vale o prazo de três horas: se a Meta e a central cumprirem a ordem, as cinco peças saem do ar justamente quando a campanha mais depende de mobilização nas redes.

Análise do Giro

A decisão mostra que alertas alarmistas sem comprovação, como a perda do Pix ou o congelamento de aposentadorias, não passam sem contestação quando partem de uma entidade que usa o perfil institucional para fazer campanha. Ao mesmo tempo, é correto que o ministro tenha recusado a censura prévia: a liberdade de expressão exige que eventuais abusos sejam julgados depois, caso a caso, e não calados antes de existirem.

Com informações de Metrópoles Eleições.

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