Brasília--:--:--
Dólar—
Euro—
Tempo—
Impostômetro 2026 R$ — ACSP
Manchetes
UrgenteRacha no TSE: Cueva suspende decisão de Kassio e reabre canal travado a pedido de Flávio
PublicidadePublicidadeSua marca no O Giro de NotíciasAnuncie para um público que acompanha política e economia todos os dias.Anuncie aqui
Política

Alckmin exalta mártires da ditadura de Vargas, herói que Lula elevou por lei em 2010

No palanque de Lula na Paulista, Alckmin homenageou jovens mortos em 1932 sob Vargas, o mesmo ditador que o presidente admira e transformou em herói nacional.

Alckmin exalta mártires da ditadura de Vargas, herói que Lula elevou por lei em 2010
Foto: Ricardo Stuckert / CC BY-SA 4.0 (Geraldo Alckmin)

O discurso foi para atacar o bolsonarismo, mas acabou abrindo uma contradição dentro do próprio palanque. Neste domingo, 11, no ato de campanha de Luiz Inácio Lula da Silva na Avenida Paulista, em São Paulo, o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) homenageou quatro estudantes mortos em 1932, durante a ditadura de Getúlio Vargas, personagem que o próprio Lula elogia e que ele mesmo elevou à condição de herói da pátria.

“São Paulo não quer ditadura”

Ao criticar o bolsonarismo, Alckmin disse: “São Paulo não quer ditadura. Nosso ídolo não é o coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra. Nossos ídolos são os estudantes que morreram na ditadura: Martins, Miragaia, Dráusio e Camargo.”

Os nomes citados formam a sigla MMDC: Mário Martins de Almeida, Euclides Bueno Miragaia, Dráusio Marcondes de Sousa e Antônio Américo de Camargo Andrade. Eles morreram em 23 de maio de 1932, no centro de São Paulo, depois de um confronto durante manifestações contra Vargas. A sigla virou símbolo da Revolução Constitucionalista, movimento armado iniciado em 9 de julho daquele ano contra o Governo Provisório.

O regime que os paulistas enfrentaram

Na época, Vargas governava sem Constituição em vigor. Desde 1930, havia dissolvido o Congresso Nacional, afastado governadores e concentrado poderes no Executivo. Os constitucionalistas paulistas exigiam uma nova Constituição, eleições e o fim da intervenção federal no Estado.

Segundo o relato, integrantes do movimento oposicionista atacaram instalações de grupos favoráveis ao governo federal, e os ocupantes de uma dessas sedes reagiram a tiros. Foi nesse episódio que os quatro jovens morreram.

E o ídolo de Lula?

É aqui que a homenagem de Alckmin esbarra no histórico do chefe de chapa. Em 8 de abril de 2014, em entrevista coletiva na sede do Instituto Lula, em São Paulo, o presidente declarou: “O Getúlio, que me faz ter mais admiração, é o Getúlio de 1950, 1954”. A referência é ao período em que Vargas voltou ao poder pelo voto popular, em 1951.

Lula repetiu os elogios em julho de 2026, num encontro da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC). Na ocasião, destacou a criação do salário mínimo e da CLT e associou Vargas à ampliação dos direitos dos trabalhadores.

A admiração também virou ato oficial. Em 15 de setembro de 2010, Lula sancionou a Lei nº 12.326, aprovada pelo Congresso, que determinou a inscrição de Getúlio Dornelles Vargas no Livro dos Heróis da Pátria, no Panteão da Liberdade e da Democracia, em Brasília. O projeto havia sido apresentado em 2004 pelo então deputado Severiano Alves (PDT-BA). Com a sanção, Lula oficializou o reconhecimento de Vargas como herói nacional, embora o ex-presidente tenha governado em períodos de repressão política e suspensão de garantias constitucionais.

O que vem agora

A cena na Paulista deve alimentar o debate na reta final do segundo turno. De um lado, o vice evoca mártires de uma ditadura para sustentar o discurso contra o bolsonarismo. Do outro, o candidato à reeleição, que já elogiou publicamente o governante daquele período e sancionou a lei que o consagrou herói. Resta saber se a campanha vai explicar a diferença entre os dois discursos.

Análise do Giro

Defender a democracia é dever de todos, mas o discurso perde força quando quem o faz divide o palanque com alguém que sancionou uma lei de homenagem ao líder do regime que os estudantes de 1932 enfrentaram. Os fatos mostram que Lula tem admiração declarada por Vargas, e o eleitor tem o direito de perguntar qual é, afinal, o critério de coerência da campanha petista.

Com informações de Revista Oeste.

Leia também