A campanha de Lula decidiu enfrentar a imprensa nos tribunais. Depois que a revista Veja publicou, na sexta-feira (9), uma reportagem sobre R$ 30 milhões que teriam financiado um documentário, o comitê petista acionou o TSE, a Justiça do Distrito Federal e a Polícia Federal. A Presidência e o Ministério da Saúde também procuraram a AGU para avaliar outras providências.
A reportagem que incomodou o Planalto
A matéria, assinada por Robson Bonin, apresenta uma gravação atribuída a Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master. No áudio, ele relataria o pagamento de R$ 30 milhões para bancar um documentário dirigido pelo roteirista norte-americano Oliver Stone. O material cita ainda o ex-tesoureiro João Vaccari Neto, negociações com fundos de pensão e o ministro Alexandre Padilha.
Cinco medidas contra a revista
No TSE, a campanha pede a retirada da reportagem em até 12 horas e direito de resposta na edição impressa. Também quer a remoção de um vídeo do PL e a proibição de Flávio Bolsonaro e do partido repetirem as acusações na propaganda eleitoral.
Na Justiça do DF, Lula pede a retirada da matéria, perícia no áudio e indenização de R$ 100 mil da Editora Abril e do jornalista Bonin. À PF, a campanha pediu investigação sobre a origem da gravação.
O PT ainda quer identificar quem esteve com Vorcaro na prisão e pedir a quebra de sigilo telemático de suspeitos de participar da gravação. A iniciativa levanta preocupação sobre a proteção das fontes jornalísticas, garantida pelo artigo 5º, inciso XIV, da Constituição.
Sites ligados ao petismo atacam o dono da Abril
No mesmo dia, o Diário do Centro do Mundo publicou textos do articulista Kiko Nogueira associando Fábio Carvalho, publisher da Editora Abril, a encontros de apoio a Flávio Bolsonaro. Também afirmou haver promessa de concessão de TV aberta em troca da reportagem. A acusação não foi comprovada. Brasil 247 e Jornal GGN reproduziram a denúncia.
Os três sites receberam publicidade federal no governo Lula. O Brasil 247 teve cerca de R$ 700 mil em 2023, e o DCM, pouco mais de R$ 220 mil no mesmo período. O GGN também recebeu verbas de Banco do Brasil e Caixa, mas o valor não foi confirmado.
Liberdade de imprensa na mira
O artigo 220 da Constituição assegura a liberdade de informação e proíbe censura de natureza política, ideológica e artística. Um levantamento da Coalizão em Defesa do Jornalismo, divulgado pela Abraji, contou cerca de 14 mil ataques a jornalistas e veículos nas redes entre 16 de agosto e 4 de outubro. Na reta final do primeiro turno, a média chegou a 327 por dia.
O que vem agora: TSE, Justiça do DF e PF terão de dizer onde termina a responsabilidade eleitoral e onde começa a proteção constitucional ao jornalismo, em plena disputa de segundo turno.
Análise do Giro
Quando uma campanha reage a uma reportagem com pedido de remoção em 12 horas, perícia e investigação sobre a origem do áudio, o eleitor tem o direito de se perguntar se o alvo é a desinformação ou a informação incômoda. Contestar uma matéria é legítimo, mas o caminho mais saudável em uma democracia é o esclarecimento público dos fatos, não a tentativa de tirar o texto do ar. A liberdade de imprensa não deveria depender de quem está no poder.
Com informações de Topic News.



