Na Avenida Paulista, em São Paulo, neste domingo (11/10), o ato de Lula (PT) pela reeleição teve a democracia como bandeira. A frase que mais chamou atenção foi do próprio presidente: “Esse país não pode perder a democracia por pior que ela seja”. A fala veio depois de críticas à família Bolsonaro, em um palanque que tenta virar o jogo contra Flávio Bolsonaro (PL).
“Por pior que ela seja”: a frase que ficou
Lula afirmou que, durante a campanha, o que mais ouviu foi gente dizendo que não quer “só comida”, mas também cultura, emprego de qualidade, liberdade e democracia. Foi nesse contexto que soltou a expressão que agora circula. Dizer que a democracia não pode ser perdida “por pior que ela seja” abre espaço para a pergunta óbvia: pior em quê, sob o governo de quem?
O presidente também apelou aos eleitores que ficaram em casa no primeiro turno. Segundo ele, quase 30 milhões de pessoas não foram votar. Sobre os mais velhos, disse que 60 ou 70 anos não transformam ninguém em “inútil” e que quem não quer votar por si mesmo tem filhos, netos e bisnetos para cuidar do país.
Alckmin traz Ustra e 1932 para o palanque
O vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) subiu o tom. “São Paulo não quer ditadura. Nosso ídolo não é o coronel Ustra, nossos ídolos são os estudantes mortos na ditadura: Martins, Miragaia, Dráusio e Camargo”, disse. Ele citou os quatro nomes ligados à Revolução Constitucionalista de 1932 e afirmou que “ninguém vai rasgar a Constituição brasileira”.
Na Paulista, eleitores levavam cartazes com “Ditadura nunca mais” e “1964 nunca mais”. Cerca de uma hora antes de Lula e Alckmin chegarem ao trio elétrico, artistas já haviam criticado a fala de Flávio Bolsonaro sobre mudar a Constituição. O ator Humberto Carrão e o rapper Baco Exu do Blues pediram que cada eleitor converse com alguém indeciso.
Revolução tecnológica e “prisão para os bandidos”
Lula prometeu, se reeleito, uma revolução tecnológica focada em inteligência artificial e indústria digital. Prometeu também uma revolução na segurança pública, com “segurança para o povo e prisão para os bandidos”. A fala foi ovacionada. Resta saber por que a promessa só aparece agora, com o petista já na cadeira de presidente.
O governador reeleito do Ceará, Elmano de Freitas (PT), afirmou que “o nordeste, São Paulo e o Brasil não vão virar uma Argentina”. A referência foi à política econômica de Javier Milei, apontado como aliado de Flávio.
O número que assombra a campanha
O pano de fundo é o resultado do primeiro turno. Flávio Bolsonaro largou na frente, com 47,03% dos votos, contra 45,16% de Lula. A abstenção foi recorde: 33 milhões de ausentes, o equivalente a 21,08%, segundo a fonte. É nesse eleitor que a campanha petista aposta, com reforço nas redes e ações de rua.
O próximo passo é a reação do eleitorado ausente. Se a mobilização anunciada na Paulista vai se converter em votos, só as urnas do segundo turno dirão.
Análise do Giro
Quando o discurso de um governante precisa admitir que a democracia pode ser “ruim”, o eleitor tem o direito de perguntar o que o governo fez para melhorá-la. A campanha de Lula aposta no medo e na lembrança da ditadura para mobilizar quem ficou em casa, enquanto promete segurança e tecnologia depois de anos no comando. Para o eleitor conservador, que defende liberdade, família e menos impostos, o que conta é o resultado entregue, e não a retórica de palanque.
Com informações de Metrópoles Eleições.



