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Política

Medo no Itamaraty: diplomatas da era Lula avaliam aposentadoria se Flávio vencer

Com o 2º turno no horizonte, altos nomes da diplomacia cogitam sair de cena ou buscar postos discretos. O grupo de Flávio fala em “aparelhamento ideológico”.

Medo no Itamaraty: diplomatas da era Lula avaliam aposentadoria se Flávio vencer
Foto: Gage Skidmore / CC BY-SA 3.0 (Eduardo Bolsonaro)

O segundo turno já mexe com os bastidores do Itamaraty. Segundo informações atribuídas à Coluna do Estadão e reproduzidas por vários veículos neste sábado, diplomatas do alto escalão avaliam antecipar a aposentadoria ou buscar postos de menor exposição política caso Flávio Bolsonaro (PL) seja eleito presidente. A ameaça de uma troca de comando na política externa já provoca ansiedade na casa.

Quem estaria de saída, e por quê

De acordo com os relatos, ao menos três secretários do ministério consideram que uma vitória de Flávio encerraria suas trajetórias no topo da pasta. Um deles teria dito que não se sentiria confortável em executar certas orientações políticas de um novo governo e pensa em trabalhar num consulado, longe das decisões de Brasília.

O movimento atinge sobretudo integrantes próximos da aposentadoria compulsória e ligados a áreas que ganharam espaço sob Luiz Inácio Lula da Silva: direitos humanos, meio ambiente, organismos multilaterais, América Latina e temas de gênero.

Atenção: não há debandada formal. São relatos de bastidor sobre possibilidades individuais, e não pedidos de desligamento protocolados.

O gatilho: o “mapeamento” de Eduardo

A inquietação cresceu depois que Eduardo Bolsonaro disse ter feito um “mapeamento” de servidores do Ministério das Relações Exteriores que, na avaliação dele, atuaram contra o governo de Jair Bolsonaro. Nas redes, ele também falou em mudanças profundas no Itamaraty caso o irmão chegue ao Planalto. Dias antes da votação, segundo o Poder360, já dizia estar “na cola” dos servidores que, em sua visão, sabotaram o governo anterior.

O caso mais comentado é o da embaixadora Vanessa Dolce de Faria, Alta Representante para Temas de Gênero. Ela publicou uma imagem com símbolos de apoio à candidatura de Lula. Eduardo reagiu e sugeriu que, num eventual governo Flávio, ela poderia ser enviada em missão ao Zimbábue. O Observatório da Política Externa e da Inserção Internacional do Brasil divulgou nota de solidariedade e classificou as falas como intimidação. É a avaliação da entidade, não uma decisão administrativa ou judicial.

O outro lado: “aparelhamento ideológico”

Integrantes do grupo político de Flávio afirmam que existe “aparelhamento ideológico” no Itamaraty e defendem mudanças profundas caso assumam. A embaixadora em Washington, Maria Luiza Viotti, já havia sido criticada por Flávio e aliados após a viagem do candidato aos Estados Unidos. Eles reclamaram da atuação da representação brasileira e acusaram a embaixada de agir de forma politizada.

No Planalto, a preocupação é outra. Uma fonte do governo Lula chegou a falar em receio de que Eduardo atue como uma espécie de “chanceler-sombra”. É uma avaliação de bastidor, e não há anúncio de Flávio indicando o irmão para qualquer função diplomática.

O que ainda não se sabe

Não existe programa definitivo mostrando que mudanças Flávio faria no ministério. Também não se sabe quantos diplomatas realmente se aposentariam. Os relatos são condicionais e dependem do resultado das urnas. Diplomatas são servidores de carreira que representam o Estado sob qualquer governo, e a troca de prioridades a cada administração é comum.

O que está em jogo vai de negociações ambientais e comerciais às relações com Estados Unidos, América Latina e organismos internacionais. A resposta virá só depois de 27 de outubro.

Análise do Giro

Diplomata de carreira serve ao Estado, e não a um partido, e é justamente por isso que posts de apoio explícito a um candidato por quem ocupa cargo de representação levantam dúvidas legítimas sobre neutralidade. Os eleitores que pedem uma política externa alinhada ao voto das urnas têm razão em cobrar mudanças, que devem seguir a lei e as regras do serviço público. Fica o desafio de conduzir a transição, se ela vier, com firmeza e sem espetáculo.

Com informações de QPO Geral.

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