O golpe veio de dentro da casa. O MDB, partido que comandou três ministérios no governo Lula, entregou nesta terça-feira (13), em São Paulo, o apoio formal de 16 dos 27 diretórios regionais ao senador Flávio Bolsonaro (PL). A 12 dias do segundo turno, o recado do centro ao Planalto é direto.
De neutro a trincheira de Flávio
No primeiro turno, o MDB tinha se declarado neutro. Agora tomou lado, e o lado não é o de Lula. A adesão foi articulada por Tarcísio de Freitas e Ricardo Nunes e levou para a campanha de Flávio os três maiores colégios eleitorais do país: São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro.
A lista não para aí. Também fecham com Flávio os diretórios do Rio Grande do Sul, Paraná, Santa Catarina, Goiás e Distrito Federal. É um mapa de peso numa eleição apertada.
As razões de Baleia Rossi
O presidente do partido, Baleia Rossi, justificou a decisão com três bandeiras: responsabilidade fiscal, defesa do agronegócio e combate ao crime organizado. Segundo ele, o eleitor escolheu a mudança em 4 de outubro.
Não foi unanimidade. Dez diretórios do Norte e do Nordeste reagiram com uma carta de apoio a Lula. O partido sai do episódio dividido, mas com a maioria e os grandes estados do lado de Flávio.
O centro inteiro migra, e Lula fica com a extrema esquerda
O movimento completa o realinhamento do centro. União Progressista (União Brasil e PP), Republicanos, Podemos e Novo já estão com Flávio, assim como Ronaldo Caiado.
E Lula? Recebeu apenas a adesão de PSTU, PCB e UP, legendas de extrema esquerda derrotadas no primeiro turno. O contraste é gritante: de um lado, grandes estados e as principais forças do Congresso; do outro, siglas nanicas.
O que vem a seguir
Com o MDB definido, a campanha de Lula entra na reta final mais isolada no próprio campo ideológico, enquanto a oposição concentra os maiores palanques estaduais. Resta saber se o apoio dos diretórios se converterá em voto nas urnas, sobretudo nos três maiores colégios eleitorais, e como o PT reagirá ao desembarque de quem ocupou a Esplanada ao seu lado.
Análise do Giro
Quando um partido que esteve dentro do governo, com três ministérios, decide abandonar o barco e cita responsabilidade fiscal, agronegócio e segurança como motivos, o recado vai além da política de bastidor: parte do próprio establishment não vê nesses temas respostas no projeto de Lula. Para o Planalto, ficar com PSTU, PCB e UP é uma derrota simbólica que pede explicações, não apenas a retórica de sempre.
Com informações de Jornal da Cidade Online.


