Lula não recuou. Na manhã desta segunda-feira (12 de outubro), logo depois de uma missa em homenagem a Nossa Senhora Aparecida no Palácio da Alvorada, o presidente reagiu à disputa judicial em torno do canal de WhatsApp “Exército do Lula” e prometeu ir além: “Vou criar mais canais de mobilização”. A declaração vem no momento em que o TSE ainda decide o destino do grupo, em plena reta final do segundo turno.
Suspenso e liberado em poucas horas
A confusão começou no domingo (11). O ministro Nunes Marques atendeu a um pedido da campanha de Flávio Bolsonaro (PL) e mandou suspender de imediato o canal, que reunia mais de 3,4 milhões de participantes, segundo a Agência Brasil. A campanha de Flávio acusa o grupo de espalhar informações falsas sobre propostas de governo, como Bolsa Família e reajuste de aposentadorias, além de falas atribuídas ao candidato sobre Nossa Senhora Aparecida.
Horas depois, o corregedor-geral eleitoral, ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, reverteu a decisão em caráter provisório. Para ele, os elementos apresentados até ali não justificavam uma restrição tão ampla. O canal voltou a aceitar publicações e novos membros, mas segue proibido compartilhar conteúdo já reconhecido pela Corte como inverídico.
O relatório que mexe no tabuleiro
Nesta segunda, o UOL divulgou um relatório técnico da própria equipe do TSE. O estudo analisou as mensagens de 2 a 11 de outubro e não encontrou conteúdo classificado como falso nesse período. Mas o documento também registrou o uso recorrente de linguagem polarizadora e fez um alerta pesado: parte do material foi apagada antes da análise, o que limita a avaliação completa.
Ou seja, o relatório não encerra a polêmica. Ele deixa uma lacuna no centro do debate: o que havia nas mensagens que sumiram?
Missa, ministros e promessa de mais canais
A fala de Lula veio depois de uma celebração de cerca de uma hora, conduzida pelo padre jesuíta Álvaro Pimentel. Estavam presentes a primeira-dama Janja Lula da Silva, ministros de Estado, governadores, senadores, crianças e representantes de movimentos sociais, entre eles o Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto. Do clima de devoção, o presidente passou direto ao embate eleitoral e anunciou que pretende multiplicar as iniciativas de mobilização digital.
O que vem agora
O ministro Cueva determinou que o caso vá ao plenário do TSE na primeira sessão virtual disponível, com pedido de urgência, de preferência em até 24 horas. Os sete ministros vão decidir se a suspensão se sustenta, considerando o relatório técnico, e se as medidas provisórias serão mantidas, ajustadas ou derrubadas. O julgamento tende a fixar um precedente sobre os limites de estruturas de comunicação em massa em campanha.
Análise do Giro
Quando o próprio presidente da República anuncia que vai multiplicar canais de mobilização em plena disputa, o debate deixa de ser só técnico: é preciso saber quem fiscaliza, com que régua e com que transparência. A liberdade de expressão vale para todos os lados, mas o relatório do TSE admite que mensagens foram apagadas antes da análise, e isso alimenta a desconfiança do eleitor. A Justiça Eleitoral deve igualdade de tratamento aos dois candidatos, e é isso que o plenário precisa demonstrar.
Com informações de QPO Geral.



