A guerra em torno do “Exército do Lula” ganhou um capítulo explosivo a 13 dias do segundo turno. A campanha de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) acusa o deputado André Janones (Avante-MG) de apagar 219 publicações do canal de WhatsApp em apenas 18 minutos, na madrugada de 8 de outubro. A equipe também contesta o relatório da assessoria de desinformação do TSE, que não achou no canal o material apontado como falso.
A promessa e o sumiço
Segundo a nota da campanha, a sequência é o ponto mais incômodo. À 1h10 de 8 de outubro, Janones teria publicado uma mensagem dizendo que não divulgaria “uma única fake news até o final da campanha”. Cerca de 40 minutos depois, de acordo com a equipe de Flávio, começou a exclusão em massa das 219 publicações.
A campanha afirma que o canal adotava uma estratégia de exclusão sistemática de mensagens. O objetivo, segundo ela, seria dificultar a fiscalização da Justiça Eleitoral e da própria plataforma. São acusações da campanha, e a existência e o conteúdo integral das mensagens ainda dependem de exame pela Justiça Eleitoral.
Os vídeos que continuaram no ar
Entre os conteúdos apagados, segundo a equipe de Flávio, havia orientações e links para vídeos com informações falsas sobre o cancelamento de um reajuste do Bolsa Família e sobre a redução de aposentadorias. A campanha diz que os vídeos seguiram disponíveis nas redes, com 920 mil e 3,1 milhões de visualizações, respectivamente.
Um infográfico anexado à nota mostra o caminho de um vídeo sobre o Bolsa Família publicado em setembro. Ele sai de uma orientação no canal e chega ao Instagram e ao Facebook, onde, segundo a campanha, somou 920 mil visualizações, 118 mil curtidas e 23 mil comentários.
O método, segundo a campanha
A nota descreve o funcionamento do grupo. Os administradores orientariam os participantes a copiar e colar conteúdos, em vez de usar o botão de encaminhar do WhatsApp, que tem limites de compartilhamento. Outra orientação seria divulgar vídeos sem assisti-los antes. Segundo a campanha, o texto no WhatsApp não traria a informação falsa diretamente, o que dificultaria a detecção pelos sistemas de controle. O documento também atribui a Janones comandos como “EXPLODAM” e “COMPARTILHEM”, acompanhados de links para vídeos hospedados em outras redes.
Relatório do TSE e a queixa contra Cueva
A resposta da campanha foi à Informação Técnica nº 001/2026 da assessoria do TSE. Na segunda-feira, 12, os técnicos informaram não ter encontrado no canal as publicações apontadas como falsas. Eles analisaram conteúdos de 2 a 11 de outubro, entre textos, vídeos, áudios e pré-visualizações de links.
A equipe de Flávio atribui o resultado ao apagamento e critica o corregedor-geral eleitoral, Ricardo Villas Bôas Cueva. Segundo a nota, o pedido de preservação dos dados foi feito em uma Ação de Investigação Judicial Eleitoral, inicialmente sob sigilo. A campanha afirma que o ministro retirou o segredo de justiça sem mandar a Meta conservar os conteúdos.
O TSE, em comunicado de sábado, 10, disse que Cueva pediu os arquivos digitais citados na petição inicial e não incluídos no processo eletrônico. O tribunal confirmou o recebimento de um pen drive pela Secretaria Judiciária. Esclareceu, porém, que a entrega do dispositivo não dispensava a inclusão organizada dos arquivos nos autos, para permitir a análise e garantir o direito de defesa dos investigados.
A campanha diz ter espelhado o canal em tempo real e preservado parte das mensagens excluídas. Segundo ela, esse material já estava na Secretaria Judiciária quando a ação foi ajuizada.
Canal gigante e disputa jurídica
Janones afirmou que o canal reunia cerca de 3,3 milhões de participantes. No domingo, 11, o presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, determinou a suspensão do canal a pedido da campanha de Flávio. Cueva reverteu a decisão, por considerar insuficientes os elementos apresentados. Janones acusou a Justiça Eleitoral de censura. A campanha rejeita o termo e diz que barrar conteúdo comprovadamente falso é obrigação legal.
A equipe também afirma que as práticas violam o Plano de Conformidade firmado entre a plataforma e o TSE, em especial as regras contra o uso de canais de grande alcance para atividades ilícitas.
O que vem agora
A campanha promete enviar à Presidência do TSE um novo relatório técnico, com as cópias que diz ter guardado antes das exclusões. Com o segundo turno marcado para 25 de outubro, o tribunal terá de decidir se o material comprova a tese de Flávio ou se o caso fica sem prova.
Análise do Giro
Em campanha, liberdade de expressão e responsabilidade andam juntas, e quem faz propaganda para milhões de pessoas deve explicar por que apagou o que publicou. Se as cópias preservadas forem validadas, o caso exigirá respostas claras de Janones e do campo lulista. A Justiça Eleitoral, por sua vez, deve tratar todas as campanhas com o mesmo rigor, sem burocracia que atrapalhe a apuração de denúncias a poucos dias da votação.
Com informações de Revista Oeste.



