A Empresa Brasil de Comunicação (EBC) entrou no caso do programa eleitoral de Flávio Bolsonaro (PL) exibido sem som e mandou o recado: a culpa não é dela. Em nota divulgada na tarde desta segunda-feira (12/10), a estatal afirmou que a falha de áudio, que atingiu a propaganda do candidato à Presidência por volta das 13h, no feriado de Nossa Senhora Aparecida, não nasceu em suas instalações.
Com o TSE já investigando o episódio, a pergunta que fica é: se não foi a EBC, quem apertou o botão errado?
“Somente o pool tem acesso à mídia”
Segundo a EBC, toda a operação de exibição da propaganda presidencial é de responsabilidade do pool de emissoras, organizado pela Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert). A estatal cita o art. 64 da Resolução TSE nº 23.610/2019 e o plano de mídia do 2º turno (Resolução TSE nº 23.778/2026). Pelas regras, cabe ao pool receber as mídias das campanhas e gerar o sinal distribuído ao país. A divisão de tarefas dentro dele, diz a nota, é definida pela Abert.
A EBC detalhou o caminho do material. As campanhas de Lula e de Flávio fazem o upload das propagandas direto no site do pool. “Somente o pool tem acesso à mídia e faz a conferência do material”, diz o texto. A EBC afirma que não recebe os arquivos com antecedência, por razões de segurança da informação, e que “não tem meios de interferir no áudio ou em qualquer outro elemento da propaganda”. Sua participação, segundo a nota, se limita a disponibilizar o equipamento de uplink, o carro que envia o sinal por satélite.
Quatro vias, o mesmo silêncio
O trecho mais forte do comunicado trata do momento da falha. A EBC diz receber o sinal do pool por quatro vias redundantes: satélite, Infovia, Mochilink e feed paralelo da Câmara. Segundo a estatal, às 13h a ausência de áudio apareceu ao mesmo tempo em todas elas, inclusive nas que não passam pelo satélite. A conclusão: “Tudo indica que a falha já estava presente na origem, antes de o sinal chegar às emissoras”.
Campanha diz que o arquivo tinha som
Do outro lado, a campanha de Flávio informou ao Metrópoles que o arquivo enviado para divulgação estava com áudio. A equipe tenta descobrir se houve erro da emissora responsável por gerar o sinal e lamentou que o problema tenha ocorrido num feriado, com muita gente em casa e a TV ligada. Na sequência, a propaganda de Lula (PT) foi ao ar normalmente, com som, o que provocou reclamações de telespectadores nas redes.
O próprio Flávio reagiu: “Hoje, pela primeira vez na história de uma campanha presidencial, o meu programa eleitoral foi transmitido sem som. É isso mesmo, mudo.” E completou: “Você acredita em coincidência? Cara, não. Não acredito, não existe coincidência”.
O que vem agora
Ainda não se sabe se a mídia estava corrompida, se o erro ocorreu na hora de gerar o conteúdo ou se houve outra causa. O Metrópoles procurou a Abert, que até o momento não respondeu. O TSE segue com a investigação aberta, e a resposta da entidade que organiza o pool tende a ser decisiva para fechar essa conta.
Análise do Giro
A nota da EBC tira a estatal da linha de tiro, mas empurra o problema para um pool que ainda não se explicou, num caso que atingiu justamente o candidato da oposição, em horário nobre de feriado e em plena reta final do 2º turno. Sem acusar ninguém, cabe cobrar transparência total: auditoria dos arquivos enviados, registro de quem conferiu o material e resposta pública da Abert. Numa eleição apertada, o eleitor merece saber exatamente onde o som sumiu.
Com informações de Metrópoles Eleições.



