O Gre-Nal acabou, mas a bola da política ainda rolou na sala de imprensa. Neste domingo (11), em Porto Alegre, o técnico do Grêmio, Renato Gaúcho, levantou-se de súbito durante a coletiva, disse “Eu não deveria falar isso, mas é por isso que sou Bolsonaro” e deixou claro o apoio a Flávio Bolsonaro (PL-RJ) na disputa pela Presidência. Houve aplausos.
O estopim: a cobertura sobre o auxiliar
A declaração veio depois de uma pergunta de um jornalista sobre o episódio envolvendo o auxiliar técnico Alexandre Mendes, de 62 anos, que trabalha com Renato no futebol há 21 anos. Mendes foi preso na quinta-feira (8), ao chegar a Porto Alegre com a delegação do clube, após uma viagem a Belém. O motivo teria sido o descumprimento de uma medida protetiva, em vigor desde março e solicitada pela ex-companheira. A defesa garante que a acusação de violação da medida é falsa. Ele foi solto no dia seguinte.
Renato não escondeu a irritação com o tratamento dado ao caso. “A gente vive em um país que é o seguinte: antes se atira e depois perguntam se é inocente ou culpado”, afirmou.
“Sede monstra para condenar”
O treinador fez questão de separar as coisas. “Sou a favor do cara que bate na mulher ser preso, sou totalmente a favor. O dia que ele fizer isso ele não vai mais trabalhar comigo”, disse. Em seguida, defendeu o auxiliar: “Mas é a sétima vez que acusam o cara e ele é inocente.”
Depois veio o recado direto à imprensa. “A imprensa tem que parar de dar cinco minutos de fama para quem não deve dar”, disparou. Segundo Renato, “no dia seguinte, o próprio Ministério Público viu que ele era inocente, teve um erro”. E provocou: “Alguns colegas seus foram com uma sede monstra para condenar o cara. Por que não tiveram essa sede para inocentar ele agora? Gozado isso.”
Foi nesse ponto que o técnico se levantou e fez a declaração política.
Não é a primeira vez
A simpatia de Renato pela família Bolsonaro vem de longe. Em 2019, no início do governo de Jair Bolsonaro, ele já demonstrava admiração pelo então presidente e pelo ex-ministro Sergio Moro, e dizia confiar na capacidade de Bolsonaro de promover mudanças no país. Contou ainda que conversava com o presidente por telefone e que o convidou para assistir a um jogo do Grêmio.
Na campanha de 2022, o treinador participou de um vídeo em defesa da reeleição de Bolsonaro, publicado nas redes por Flávio, então senador. No mesmo ano, em entrevista ao podcast Cara a Tapa, reiterou sua preferência e disse que continuaria ao lado do ex-presidente. Em março de 2026, o PL republicou trechos dessa conversa.
O que vem agora
Com o segundo turno se aproximando, o gesto de um dos treinadores mais populares do futebol gaúcho, feito diante das câmeras e aplaudido na sala, tende a render nas redes. Resta saber se a declaração vai gerar reação de adversários ou ser explorada pela campanha de Flávio nos próximos dias. Até aqui, o material não registra resposta de nenhum dos lados.
Análise do Giro
Renato Gaúcho fez o que muita gente comum faz: falou o que pensa, sem pedir licença, e cobrou da imprensa o mesmo rigor para condenar e para corrigir. Defender a presunção de inocência e, ao mesmo tempo, dizer que é a favor de punir agressores mostra equilíbrio, e não pode ser reduzido a um rótulo. Num país em que opinião pública costuma ser decidida por manchete, a fala dele dialoga com o eleitor que valoriza liberdade de expressão e se sente pouco representado pela cobertura tradicional.
Com informações de Revista Oeste.



