A campanha de Lula levou um golpe na Justiça Eleitoral neste domingo, 11. O ministro André Mendonça, do TSE, vetou anúncios pagos do PT que apresentavam Flávio Bolsonaro (PL-RJ) como adversário do fim da escala 6×1. A decisão atende a um pedido da equipe do candidato do PL e chega às vésperas de uma votação decisiva no Senado.
O vídeo que acendeu o pavio
O alvo foi um vídeo patrocinado pelo PT no Facebook. Na peça, o partido atribuía a Flávio uma posição contrária à mudança da jornada e acusava a legenda dele de agir intensamente para barrar a proposta em discussão no Senado.
Para Mendonça, a campanha petista passou do ponto. Segundo o ministro, ela ultrapassou os limites do impulsionamento de conteúdo eleitoral ao usar o recurso para atingir negativamente o adversário.
O que o ministro apontou
Na fundamentação, o magistrado entendeu que o material tentava comprometer a imagem de Flávio ao vinculá-lo à continuidade da jornada 6×1. Ele também citou referências à suposta insensibilidade do candidato, à afirmação de que ele trabalharia somente três dias por semana e à insinuação de que sua posição prejudicaria a convivência das mães com os filhos.
A ordem impede novas contratações para divulgar as peças. A Meta, dona do Facebook, recebeu determinação para retirar os anúncios de forma definitiva e informar os gastos realizados. Pelos registros mencionados na decisão, houve ao menos dois desembolsos: R$ 10,4 mil e R$ 15,4 mil.
A proposta de Flávio, que o PT não quis mostrar
Enquanto o PT pintava o adversário como inimigo do trabalhador, Flávio tem defendido outro modelo. Segundo suas declarações à imprensa, a alternativa permitiria aos profissionais negociar diretamente com os empregadores a quantidade de horas trabalhadas, com mais liberdade de escolha.
Domingo ruim para a propaganda de Lula
A decisão de Mendonça não foi a única. No mesmo dia, o presidente do tribunal, Kassio Nunes Marques, mandou retirar uma propaganda de TV da candidatura de Lula que abordava Flávio e sua suposta ligação com Daniel Vorcaro, ex-banqueiro envolvido no caso Banco Master. A peça também fazia referência a uma investigação sobre acusação de estupro envolvendo Alfredo Gaspar, candidato a vice na chapa do PL.
Nunes Marques ainda atingiu o canal de WhatsApp Exército do Lula, acompanhado por cerca de 3,4 milhões de pessoas. A restrição durou poucas horas: o corregedor-geral eleitoral, Ricardo Vilas Bôas Cueva, revogou a medida e autorizou o retorno do canal.
O que vem agora
O tema volta ao centro do palco na quarta-feira, 14, quando o Senado deve votar em primeiro turno a PEC que troca o regime de seis dias de trabalho por um de folga. A data foi marcada pelo presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP). O resultado deve alimentar a disputa entre as campanhas na reta final do segundo turno.
Análise do Giro
Atribuir ao adversário uma posição e pagar para impulsionar a mensagem é jogo de campanha, mas a Justiça Eleitoral entendeu que o PT foi longe demais ao tentar colar em Flávio a pecha de insensível com as mães trabalhadoras. O episódio mostra uma campanha que, diante de um debate real sobre liberdade de negociação no trabalho, prefere o ataque ao argumento. O eleitor merece propostas claras, não anúncios que a própria Justiça manda tirar do ar.
Com informações de Revista Oeste.



