Um vídeo antigo caiu como uma bomba nas redes nesta segunda-feira, 12, a poucos dias do segundo turno. Nele, Marina Silva (Rede) conta como foi atacada na campanha presidencial de 2014 e atribui os ataques à campanha de Dilma Rousseff (PT). A gravação voltou a circular justamente quando uma notícia falsa é usada para atacar a candidatura de Flávio Bolsonaro (PL).
“Exterminadora do futuro”: o relato de Marina
A fala é de 2020, em transmissão ao vivo com o humorista Fábio Porchat. Marina contou que a campanha do PT espalhou que ela acabaria com o título de Nossa Senhora Aparecida como Padroeira do Brasil. Segundo a ex-candidata, a campanha de Dilma também produziu e distribuiu fake news dizendo que ela proibiria o Círio de Nazaré, em Belém (PA).
Não parou aí. Marina relatou que a mesma campanha dizia que ela acabaria com programas sociais, como o Bolsa Família e o Minha Casa, Minha Vida. Segundo ela, o objetivo das acusações era provocar medo entre os eleitores.
“Eu não era uma candidata, eu era uma exterminadora do futuro”, afirmou na gravação.
Apoiadores que “desistiam” e o nome de João Santana
Marina descreveu ainda uma estratégia curiosa. Supostos apoiadores diziam primeiro que votariam nela e, dias depois, anunciavam a desistência por causa das notícias falsas. Ela atribuiu os ataques à campanha petista e citou a participação do marqueteiro João Santana, sondado recentemente pelo PT para comandar a campanha de Lula neste segundo turno.
A ex-ministra do Meio Ambiente lamentou também que uma mulher tivesse tentado destruir sua reputação durante a disputa.
O roteiro se repete em 2026?
A Revista Oeste, fonte desta reportagem, aponta que a estratégia descrita por Marina é a mesma usada agora na campanha de Luiz Inácio Lula da Silva, e que ela foi considerada irregular pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Os temas se repetem: a religião e o medo de perder programas sociais. Segundo a reportagem, é um movimento idêntico ao de 2014.
A reviravolta: da vítima à aliada
O mais intrigante é o desfecho. Apesar dos ataques que relatou, Marina Silva se reaproximou do PT e voltou a assessorar Lula. No primeiro turno deste ano, concorreu ao Senado por São Paulo e foi derrotada, assim como Simone Tebet (PSB), outra aliada do petismo. As duas perderam para Guilherme Derrite (PP) e André do Prado (PL), candidatos apoiados pelo governador reeleito Tarcísio de Freitas (Republicanos).
O que vem a seguir
Com o segundo turno se aproximando e o TSE já atuando em conflitos de propaganda, o vídeo deve alimentar o debate sobre os limites do marketing eleitoral. O PT não se manifestou sobre o vídeo no material de origem.
Análise do Giro
O caso mostra que a crítica a métodos de campanha vem de dentro do próprio campo que hoje apoia Lula. Quando uma aliada descreve a estratégia do medo como arma eleitoral e o mesmo padrão reaparece, o eleitor tem o direito de cobrar explicações. Fica a pergunta que o PT deve responder: o que mudou de 2014 para cá, além da conveniência política?
Com informações de Revista Oeste.



