O barulho vem de dentro de casa. José Maria de Almeida, o Zé Maria, fundador do PT e hoje dirigente do PSTU, afirmou em um podcast que os metalúrgicos que sempre foram a base de Lula agora vão votar em Flávio Bolsonaro (PL). A fala foi gravada antes do primeiro turno e viralizou nas redes sociais.
“Os mesmos metalúrgicos que votaram no Lula a vida inteira vão votar hoje no Flávio”, disse ele, durante uma discussão com José Genoino no Podcast 3 Irmãos.
A decepção com Lula, segundo quem ajudou a fundar o PT
Zé Maria foi expulso do PT em 1992. Conhece a história do partido por dentro e não poupou o presidente. Atribuiu a mudança de voto à decepção dos trabalhadores com Lula.
Ele também rejeitou a tese, comum na esquerda, de que esses eleitores estariam indo para o bolsonarismo por serem “imbecis”. Ou seja: o operário que abandona o petista não é ignorante, está insatisfeito.
Genoino lamenta: “fio da navalha”
Do outro lado da mesa, o também histórico José Genoino, ex-presidente nacional do PT, não contestou o clima de crise. Lamentou o cenário e reconheceu as dificuldades da esquerda. Para ele, o “projeto político” do partido atravessa uma encruzilhada histórica, e a esquerda está “no fio da navalha”.
É um raro momento em que dois nomes antigos da esquerda falam em público sobre o desgaste do campo que ajudaram a construir.
O que as urnas já mostraram
No primeiro turno, Flávio Bolsonaro teve 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% de Lula, e ficou na frente na disputa nacional.
Em São Bernardo do Campo, no ABC paulista, berço político do petista e das greves de metalúrgicos do fim dos anos 1970, Lula ainda venceu: 215.232 votos contra 192.478 de Flávio. O resultado mostra que o presidente segue forte ali. Mas a distância entre os dois não é pequena em termos de votos, e a fala de Zé Maria sugere que parte desse eleitorado tradicional está disposta a apoiar o adversário.
O que vem agora
A pergunta que fica para o segundo turno é se o discurso de Zé Maria vai se confirmar nas urnas do ABC e de outras regiões industriais. A campanha de Lula terá de convencer justamente esse eleitor de raiz, que, segundo um fundador do próprio PT, anda desiludido. A de Flávio tem motivo para apostar nesse recado.
Análise do Giro
Quando um fundador do PT diz que o operário que sempre votou em Lula agora pensa em Flávio, o recado vai além da disputa eleitoral: o trabalhador cobra resultado, e a militância não basta. Lula ainda venceu em São Bernardo, mas o petismo já não pode tratar a base como garantida, e o segundo turno dirá se a cobrança por emprego e renda vai pesar mais que a história.
Com informações de Revista Oeste.



