Presente no palanque, ausente do microfone. Fernando Haddad, derrotado por Tarcísio de Freitas na disputa pelo governo de São Paulo, não discursou no ato de Lula na Avenida Paulista, enquanto vários outros nomes da coligação tiveram a palavra. A cena gerou repercussão entre aliados do presidente.
Quem falou, e quem ficou calado
Subiram ao microfone Guilherme Boulos, Geraldo Alckmin, Janja, Rafael Fonteles, Elmano de Freitas, Jerônimo Rodrigues e a presidente da União Nacional dos Estudantes, Bianca Borges. Haddad, que no estado já foi prefeito e é ex-ministro da Fazenda, permaneceu no palanque sem se aproximar do microfone.
Entre aliados de Lula, a ausência de fala foi lida como sinal de desagrado do presidente com o desempenho eleitoral do ex-ministro. Observadores políticos apontam que a decisão de não dar destaque a Haddad reflete a avaliação de Lula sobre a utilidade eleitoral dele em campanhas futuras.
O tamanho da derrota
Os números ajudam a entender o clima. No primeiro turno, em 4 de outubro, Haddad teve apenas 36% dos votos. Tarcísio de Freitas somou 62%, a melhor votação já registrada para um candidato ao governo do estado em toda a história.
E não foi só isso. O governador venceu em 99% dos municípios paulistas, e a coligação dele elegeu candidatos que ocuparão 58% da bancada paulista na Câmara dos Deputados. Ou seja, o resultado em São Paulo foi muito além da disputa pelo Palácio dos Bandeirantes.
O recado do palanque
Em política, quem fala e quem não fala no palco costuma contar uma história. Neste caso, o enredo é o de um aliado histórico de Lula que, depois de uma derrota de proporções raras, assistiu ao ato de longe do microfone. O material de origem não traz nenhuma declaração de Haddad ou de Lula sobre o episódio.
O que se vai observar daqui para a frente é se Haddad ganhará espaço nos próximos atos da campanha ou se continuará nos bastidores, e se o PT vai comentar publicamente a leitura feita por seus próprios aliados.
Análise do Giro
Num ato que pretendia mostrar força, a imagem que ficou foi a de um dos nomes mais conhecidos do PT em silêncio, depois de uma derrota histórica diante da escolha esmagadora dos paulistas por Tarcísio. Se a leitura dos aliados estiver certa, Lula tratou como descartável quem carregou a bandeira do partido no maior colégio eleitoral do país. Fica a pergunta que os eleitores costumam fazer: o PT aprende com as urnas ou só muda quem aparece no palanque?
Com informações de Topic News.



