Com a campanha de Flávio Bolsonaro (PL) apontando o dedo, o deputado André Janones (Rede-MG) confirmou nesta terça-feira (13) que apagou cerca de 500 mensagens do canal de WhatsApp “Exército de Lula”, criado para mobilizar apoiadores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A admissão veio em pleno evento do governo para anunciar medidas para empreendedores, entre elas o Desenrola MEI, a poucos dias do segundo turno.
“Não vou mais fazer”
A frase saiu sem rodeios: “Então eu apaguei 500 [mensagens]. Não vou mais fazer”, disse Janones. Segundo ele, a prática era apagar as publicações depois que os integrantes do canal cumpriam as orientações de compartilhamento. O deputado afirmou que decidiu parar de excluir as mensagens para evitar questionamentos sobre o hábito.
Ou seja: o próprio parlamentar reconhece que havia uma rotina de limpeza no grupo e que ela passou a ser vista como um problema.
Campanha de Flávio fez a conta
A confissão veio depois de a campanha de Flávio Bolsonaro divulgar um levantamento segundo o qual Janones teria apagado 499 conteúdos do canal. O time do senador e candidato à Presidência questionou as exclusões no contexto do processo apresentado à Justiça Eleitoral. O número divulgado pela campanha ficou praticamente igual ao admitido pelo deputado.
O que diz o TSE
O caso tem nuances. Na segunda-feira (12), a área técnica do Tribunal Superior Eleitoral informou que não identificou, entre as publicações examinadas de 2 a 11 de outubro, as notícias falsas apontadas no pedido de suspensão do canal. Esse é o ponto que a defesa do grupo pode explorar.
Mas o mesmo relatório registrou outro dado, que pesa no debate: a exclusão e a edição de mensagens dificultam a reconstrução do histórico das publicações. Em outras palavras, o que foi apagado limita o que a Justiça consegue verificar.
Vaivém na Justiça Eleitoral
O canal já foi alvo de decisões em sequência. No domingo (11), o presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, determinou a suspensão do grupo. Depois, o corregedor-geral da Justiça Eleitoral, ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, reverteu a medida e determinou o restabelecimento provisório do canal até que o plenário da Corte analise o caso.
O que vem agora
A decisão do plenário do TSE é o próximo capítulo e deve ser acompanhada de perto pelas duas campanhas. Resta saber se a admissão de Janones e o alerta do relatório técnico sobre as exclusões terão peso no julgamento, num momento em que cada movimento conta na reta final do segundo turno.
Análise do Giro
Qualquer que seja o resultado no TSE, a cena é desconfortável para quem pede transparência: um aliado do presidente admite ter apagado centenas de mensagens de um canal de mobilização e só promete parar depois que o assunto virou questionamento público. Numa eleição apertada, o eleitor tem direito a saber o que circulou nos grupos de campanha, e o apagão de histórico dificulta esse escrutínio, mesmo com o relatório técnico não tendo achado notícias falsas no período examinado.
Com informações de Paulo Figueiredo Show.


