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Política

Líder de Lula vê “cálculo eleitoral” no apoio à 6×1, mas PEC ficou parada desde maio

Teresa Leitão ataca a oposição a poucas horas da votação no Senado, mas ela mesma reconhece que a proposta do governo ficou travada por meses. Entenda o impasse.

Luiz Inácio Lula da Silva
Lula. Foto: Lula Oficial / CC BY-SA 4.0 (Wikimedia Commons)
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Na véspera de uma votação decisiva, o governo escolheu atacar em vez de comemorar. Nesta quarta-feira (14), a líder do governo no Senado, Teresa Leitão (PT-PE), afirmou que a mudança de postura da oposição sobre a PEC do fim da escala 6×1 é puro “cálculo eleitoral”. A proposta deve ir ao plenário do Senado ainda hoje.

“Quem vai ser contra isso?”

Segundo a senadora, o grupo de direita só passou a apoiar o texto por “interesse”. O argumento dela é que a PEC tem aprovação de mais de 70% da população. “Quem vai ser contra isso?”, questionou, em conversa com jornalistas.

O dado tem base em pesquisa. Em maio, levantamento Real Time Big Data indicava que 71% dos brasileiros apoiam o fim da escala 6×1. Outros 26% são contra, e 6% não souberam responder.

A PEC que ficou parada

Teresa Leitão deixou escapar um detalhe incômodo para o próprio governo. Segundo ela, a proposta chegou ao Senado em maio, mas, “por questões alheias” à vontade do governo, ficou parada. “Já podia estar aprovada antes do período eleitoral”, disse a líder.

Ou seja, a proposta que o Planalto trata como bandeira ficou meses sem avançar, e só ganhou pressa agora, em plena disputa eleitoral. A própria senadora lembrou que a oposição sempre disse que o texto tinha caráter eleitoreiro.

Flávio muda de posição e vai votar a favor

Como mostrou a CNN, o candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro, decidiu anunciar voto favorável à PEC. Ele já havia se posicionado contra a proposta. Também sinalizou a empresários, porém, a possibilidade de revisar o fim da escala 6×1 caso seja eleito.

Teresa Leitão afirmou ainda que a oposição pretende alterar o texto e adotar um modelo de pagamento por hora, o que, segundo ela, poderia reduzir os salários. É a versão da líder do governo; a fonte não detalha a proposta da oposição.

Corrida contra o calendário

O governo quer aprovar o texto sem mudanças, para que ele não precise voltar à Câmara dos Deputados. Por ser PEC, são necessários votos de ao menos 49 senadores em dois turnos. Entre um turno e outro, o regimento exige três sessões em plenário, o chamado interstício.

O Planalto pediu calendário especial para derrubar esse intervalo. “Temos 56 assinaturas incluindo blocos e partidos. Então o calendário certamente será aprovado”, afirmou Teresa. A expectativa é votar os dois turnos ainda hoje. Lula, que tem agenda de campanha, deve acompanhar a votação de forma online.

O que diz o texto

A PEC prevê transição de 14 meses para reduzir a jornada de 44 para 40 horas semanais, em duas etapas de duas horas cada, sem redução de salários. A primeira etapa vale 60 dias após a promulgação; a segunda, 12 meses depois. O texto também fixa dois dias de descanso, preferencialmente aos domingos, também a partir de 60 dias após a promulgação.

O próximo passo é o plenário. Se o calendário especial passar, o Senado pode concluir a votação num só dia, com governo e oposição disputando quem leva o crédito.

Análise do Giro

Quando todo o espectro político vota a favor de uma medida com 71% de apoio popular, o debate relevante deixa de ser quem a defende e passa a ser quem paga a conta. A própria líder do governo admite que a PEC ficou meses parada, e o governo só acelera agora, em época de eleição. O trabalhador merece mais descanso, mas o país também precisa saber o custo para empregos e pequenos empregadores, sem que o assunto vire apenas munição de campanha.

Com informações de CNN Brasil.

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