Na véspera de uma votação decisiva, o governo escolheu atacar em vez de comemorar. Nesta quarta-feira (14), a líder do governo no Senado, Teresa Leitão (PT-PE), afirmou que a mudança de postura da oposição sobre a PEC do fim da escala 6×1 é puro “cálculo eleitoral”. A proposta deve ir ao plenário do Senado ainda hoje.
“Quem vai ser contra isso?”
Segundo a senadora, o grupo de direita só passou a apoiar o texto por “interesse”. O argumento dela é que a PEC tem aprovação de mais de 70% da população. “Quem vai ser contra isso?”, questionou, em conversa com jornalistas.
O dado tem base em pesquisa. Em maio, levantamento Real Time Big Data indicava que 71% dos brasileiros apoiam o fim da escala 6×1. Outros 26% são contra, e 6% não souberam responder.
A PEC que ficou parada
Teresa Leitão deixou escapar um detalhe incômodo para o próprio governo. Segundo ela, a proposta chegou ao Senado em maio, mas, “por questões alheias” à vontade do governo, ficou parada. “Já podia estar aprovada antes do período eleitoral”, disse a líder.
Ou seja, a proposta que o Planalto trata como bandeira ficou meses sem avançar, e só ganhou pressa agora, em plena disputa eleitoral. A própria senadora lembrou que a oposição sempre disse que o texto tinha caráter eleitoreiro.
Flávio muda de posição e vai votar a favor
Como mostrou a CNN, o candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro, decidiu anunciar voto favorável à PEC. Ele já havia se posicionado contra a proposta. Também sinalizou a empresários, porém, a possibilidade de revisar o fim da escala 6×1 caso seja eleito.
Teresa Leitão afirmou ainda que a oposição pretende alterar o texto e adotar um modelo de pagamento por hora, o que, segundo ela, poderia reduzir os salários. É a versão da líder do governo; a fonte não detalha a proposta da oposição.
Corrida contra o calendário
O governo quer aprovar o texto sem mudanças, para que ele não precise voltar à Câmara dos Deputados. Por ser PEC, são necessários votos de ao menos 49 senadores em dois turnos. Entre um turno e outro, o regimento exige três sessões em plenário, o chamado interstício.
O Planalto pediu calendário especial para derrubar esse intervalo. “Temos 56 assinaturas incluindo blocos e partidos. Então o calendário certamente será aprovado”, afirmou Teresa. A expectativa é votar os dois turnos ainda hoje. Lula, que tem agenda de campanha, deve acompanhar a votação de forma online.
O que diz o texto
A PEC prevê transição de 14 meses para reduzir a jornada de 44 para 40 horas semanais, em duas etapas de duas horas cada, sem redução de salários. A primeira etapa vale 60 dias após a promulgação; a segunda, 12 meses depois. O texto também fixa dois dias de descanso, preferencialmente aos domingos, também a partir de 60 dias após a promulgação.
O próximo passo é o plenário. Se o calendário especial passar, o Senado pode concluir a votação num só dia, com governo e oposição disputando quem leva o crédito.
Análise do Giro
Quando todo o espectro político vota a favor de uma medida com 71% de apoio popular, o debate relevante deixa de ser quem a defende e passa a ser quem paga a conta. A própria líder do governo admite que a PEC ficou meses parada, e o governo só acelera agora, em época de eleição. O trabalhador merece mais descanso, mas o país também precisa saber o custo para empregos e pequenos empregadores, sem que o assunto vire apenas munição de campanha.
Com informações de CNN Brasil.



