A poucos dias da decisão nas urnas, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) prepara uma carta dirigida aos evangélicos para a reta final da campanha. O texto abre com um reconhecimento: “apesar de não ser evangélico”, ele afirma ter em comum com os cristãos o compromisso de cuidar das famílias brasileiras.
“Proteção divina” e um Lula guiado por Deus
Na mensagem, o petista vai além e atribui a sua chegada ao comando do país à “proteção divina”. Diz ainda ter sido guiado por Deus. Um discurso de fé que contrasta com o próprio ponto de partida da carta: o presidente admite que não pertence à religião do público que tenta conquistar.
O documento mistura referências religiosas com bandeiras do governo. Lula cita a proibição das apostas on-line, as bets, e a proposta para acabar com a escala de trabalho 6×1.
6×1 vira argumento para ir ao culto
É na jornada de trabalho que a carta ganha um tom mais calculado. Lula argumenta que menos dias trabalhados fortalecem os vínculos familiares e dariam ao trabalhador mais tempo para a vida religiosa, inclusive para cultos e momentos de adoração nas igrejas.
A proposta estava prevista para votação no Senado nesta quarta-feira, 14. Ou seja: a carta chega colada a uma pauta que o governo quer transformar em trunfo eleitoral.
Defesa antecipada: “não pode ser acusado” de fechar templos
Um trecho chama atenção. O presidente afirma que não pode ser acusado de defender políticas que levem ao fechamento de templos religiosos. A frase é dele, e a própria carta toca num assunto que costuma gerar desconfiança entre fiéis.
No fim, Lula pede que os evangélicos orem antes de decidir o voto e peçam a Deus discernimento para a escolha eleitoral.
Canal cristão no WhatsApp e bênção de Alckmin
A ofensiva não para na carta. A campanha também lançou um canal no WhatsApp voltado ao público cristão, apresentado pelo vice-presidente Geraldo Alckmin, que é católico, e pelo advogado-geral da União, Jorge Messias, que é evangélico.
Alckmin disse que o canal permitirá acompanhar os compromissos da campanha com crianças, adolescentes, famílias e o futuro do país. Ao divulgar a novidade, encerrou a mensagem com uma bênção ao Brasil.
As duas iniciativas fazem parte das ações de comunicação da campanha para os eleitores cristãos e enfatizam temas familiares, referências à fé e propostas que, segundo o discurso do petista, podem beneficiar a rotina das famílias.
O que vem a seguir
Resta saber se o apelo vai convencer um segmento que a campanha petista tenta alcançar nesta fase da disputa. A resposta virá das urnas, e os evangélicos dirão se a carta pesa mais do que o histórico que cada um carrega.
Análise do Giro
Quando um candidato descobre a fé e a família na reta final, o eleitor tem o direito de perguntar por que só agora. Os evangélicos conhecem as pautas que defendem a vida, os valores e a liberdade religiosa, e costumam avaliar o candidato pelo conjunto da obra, não por uma carta de última hora. Uma mensagem que precisa avisar que o autor “não pode ser acusado” de fechar templos mostra que o próprio governo sabe que existe desconfiança a vencer.
Com informações de Revista Oeste.



