Lula perdeu a paciência com a Justiça Eleitoral em plena Avenida Paulista. Neste domingo (11/10), durante ato de campanha em São Paulo, o petista classificou como “absurdo” a decisão do TSE que suspendeu o canal do deputado Janones, com cerca de 3,3 milhões de seguidores, a poucos dias do segundo turno.
A decisão foi publicada no fim da manhã. À tarde, o presidente já estava no palanque com a resposta pronta.
“Decisões tendenciosas”: o ataque de Lula
Lula não escondeu o incômodo. “Eu acho um absurdo. Acho que nossos advogados vão ter que entrar com pedido de explicação. Há alguns dias estou percebendo muitas decisões tendenciosas contra a nossa candidatura”, afirmou.
Ele foi além e cobrou das instituições: “Não vamos permitir que seja fechado um canal que um deputado que está pedindo para as pessoas votarem em mim. Não é possível que o STF não tenha um comportamento civilizado, republicano de permitir que as eleições fluam sem interferência da Justiça”.
Ou seja: o candidato à reeleição, que aparece atrás nas urnas, passa a acusar a Justiça de agir contra ele. A fala atinge o tribunal que decide o jogo eleitoral e é feita em plena reta final.
O que a campanha de Flávio alega
A suspensão nasceu de um pedido da campanha de Flávio Bolsonaro. Segundo o grupo do candidato, o canal servia de estrutura de desinformação coordenada no segundo turno. A campanha afirma que os integrantes eram orientados a agir “como robôs” para replicar em massa afirmações que a própria Justiça Eleitoral já havia reconhecido como falsas.
Esse é o ponto que Lula não enfrentou em sua fala. Ele não respondeu, ao menos na declaração divulgada, à acusação central de que o canal repetia conteúdo já barrado.
A resposta do ministro
Na avaliação de Nunes Marques, ordens pontuais de remoção de mensagens tornaram-se insuficientes. O magistrado registrou: “A liberdade de expressão não é salvo-conduto para o ilícito eleitoral, e a paridade de armas entre os candidatos não sobrevive à conversão de uma ferramenta de comunicação em instrumento de desinformação em massa às vésperas do pleito”.
Palanque em São Paulo
O ato na Paulista é o terceiro de rua do presidente no segundo turno. Antes, ele esteve no Distrito Federal e no Rio Grande do Norte. Em São Paulo, contou com aliados, entre eles Fernando Haddad (PT).
E agora?
Lula disse que seus advogados vão pedir explicações. Resta saber se a defesa levará o caso a algum recurso formal e se a decisão do TSE será mantida até o dia da votação. O debate sobre os limites da liberdade de expressão na campanha deve ganhar ainda mais força.
Análise do Giro
É curioso ver quem chama de “interferência” uma decisão fundamentada pelo ministro na tentativa de conter a replicação de conteúdo já considerado falso pela Justiça. Liberdade de expressão é um valor central, e o Giro defende que ela seja protegida com rigor. Mas o argumento de Lula perde força ao não responder à acusação concreta de que o canal repetia afirmações já barradas, enquanto o presidente aposta na tese de perseguição para mobilizar sua base.
Com informações de Metrópoles Eleições.



