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Política

TSE vê riscos no ‘Exército do Lula’, mas mensagens apagadas travam análise

Relatório técnico alerta para disparo em massa e linguagem de confronto no canal de Janones, mas não achou as fake news citadas por Flávio. Setembro ficou de fora.

TSE vê riscos no 'Exército do Lula', mas mensagens apagadas travam análise
Foto: Câmara dos Deputados do Brasil / CC BY 3.0 (André Janones)

O canal ‘Exército do Lula’, coordenado pelo deputado federal reeleito André Janones (Rede-MG), ganhou um parecer técnico do TSE nesta segunda-feira (12), e o documento é bem menos simples do que parece. A área técnica do tribunal aponta riscos na atuação do grupo às vésperas do segundo turno. Também admite que não conseguiu analisar o que foi apagado em setembro.

O que o relatório encontrou

O texto foi pedido pelo presidente do TSE, Nunes Marques, e leva a assinatura do chefe do setor técnico, Frederico Alvim. Servirá de base para novas decisões da Corte sobre o caso.

Um dos principais alertas é a disseminação em massa de mensagens bem na reta final da campanha. O documento também registra, nas mensagens examinadas, “o emprego recorrente de uma linguagem polarizadora, que tende a estabelecer uma lógica de confronto potencialmente contrária à condição das eleições como um substitutivo do conflito”.

As fake news que a campanha de Flávio cobrava

A campanha de Flávio Bolsonaro (PL) sustentava que o grupo espalhava informações falsas. Entre elas, que o candidato queria tirar de Nossa Senhora Aparecida o título de padroeira do Brasil, que estaria envolvido com milícia, que reduziria aposentadorias e o Benefício de Prestação Continuada e que teria mandado cancelar o reajuste do Bolsa Família.

Nesse ponto, a área técnica foi objetiva: “No período examinado (2 a 11 de outubro de 2026), não foram localizadas publicações que reproduzam essas afirmações”. O relatório registra ainda uma publicação de 8 de outubro, à 1h10, em que o canal diz que não divulgará “uma única fake news até o final da campanha”.

O buraco de setembro

O detalhe que pesa é outro. O próprio relatório informa que mensagens encaminhadas em setembro foram deletadas, o que dificultou a análise das informações difundidas. A área técnica ressalva que essas publicações apagadas não foram examinadas. Ou seja, o recorte analisado vai só de 2 a 11 de outubro, e o que circulou antes ficou fora da conta.

O canal tem mais de 3 milhões de inscritos. É um alcance que pesa numa disputa apertada e que explica por que o caso virou uma guerra de decisões dentro do tribunal.

A guerra de decisões

No domingo (11), Nunes Marques atendeu a pedido da campanha de Flávio e derrubou o canal. Horas depois, o ministro Ricardo Villas Boas Cueva reverteu a decisão, e o ‘Exército do Lula’ voltou ao ar.

E agora?

A expectativa é que o caso seja levado ao plenário do TSE, mas não há data prevista para o julgamento. Até lá, o relatório técnico entra como peça central: serve de argumento para os dois lados, de um lado pela ausência das fake news citadas no período, de outro pelos riscos apontados e pelo material apagado que ninguém examinou.

Análise do Giro

O relatório não encontrou, entre 2 e 11 de outubro, as afirmações apontadas pela campanha de Flávio, e isso precisa ser dito com clareza. Mas o mesmo documento alerta para o disparo em massa na reta final e para a linguagem de confronto, e reconhece que não pôde olhar o que foi apagado em setembro. Um canal com mais de 3 milhões de inscritos, tocado por um deputado federal, deve transparência total ao eleitor. O plenário do TSE tem a chance de decidir com critérios claros e iguais para todos os lados, sem ativismo e sem dois pesos e duas medidas.

Com informações de Bacci Política.

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