A rua que já foi palco de uma das maiores batalhas do movimento estudantil brasileiro voltou a ferver. Nesta quarta-feira, 14, universitários fizeram um ato em apoio à candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência na Rua Maria Antônia, em frente à Universidade Presbiteriana Mackenzie, no centro de São Paulo. O recado foi direto: a direita quer disputar a universidade, e a gritaria de “Fora Moraes!” ecoou pela via.
“A direita estudantil enchendo as ruas”
A manifestação reuniu integrantes de movimentos conservadores, como o Direita Mackenzista. Estiveram presentes o deputado federal Lucas Pavanato e a deputada estadual Eduarda Campopiano, ambos do PL paulista, além do ex-vereador Fernando Holiday e dos ativistas Benjamin Pontes e Paulo Kogos.
Foi Kogos quem convocou os apoiadores e deu o tom da mobilização. “É a direita estudantil enchendo as ruas pra virar o jogo nesse Brasil, acabar com o poder da esquerda e vencer”, afirmou. O ativista também demonstrou confiança na vitória de Flávio no segundo turno, marcado para 25 de outubro.
Holiday mira o Judiciário e o PT
O discurso mais duro veio de Holiday. O ex-vereador criticou adversários políticos que, segundo ele, defendem o terrorismo enquanto se apresentam como defensores da democracia. “Não vamos aceitar a ditadura do Judiciário”, declarou, ao defender a mobilização dos universitários. Na sequência, os manifestantes gritaram “Fora Moraes!”, em referência ao ministro Alexandre de Moraes, do STF. O PT também esteve na mira dos discursos.
Os participantes defenderam maior presença de jovens conservadores no ambiente universitário e na disputa política nacional.
Disputa pelo campus
Um dos fundadores do Direita Mackenzista, Luiz Oliveira, vice-presidente acadêmico do Centro Acadêmico João Mendes Júnior, da Faculdade de Direito do Mackenzie, disse que o ato é uma reação à atuação de grupos políticos no meio universitário. “Eles não usurparão mais o ambiente estudantil”, declarou. Oliveira também criticou o uso de estruturas de entidades estudantis para promover atos políticos, o que, segundo a cobertura, motivou a mobilização do grupo.
O clima na região já vinha esquentando. Em 8 de outubro, estudantes organizaram uma manifestação pela reeleição do presidente Lula, e apoiadores de Flávio também apareceram. Houve discussões entre os grupos, e a Polícia Militar interditou a Rua Maria Antônia durante o episódio.
Em meio à tensão, o Mackenzie proibiu manifestações político-partidárias dentro de suas instalações, sob a justificativa de preservar a segurança da comunidade acadêmica. Por isso, o ato pró-Flávio desta quarta ocorreu em via pública, em frente à universidade.
Uma rua com história pesada
A escolha do endereço não é banal. Em outubro de 1968, estudantes da USP e do Mackenzie se enfrentaram durante dois dias na Maria Antônia, em meio às disputas políticas do regime militar. O confronto envolveu pedras, rojões, coquetéis molotov e disparos de armas de fogo. A chamada Batalha da Maria Antônia terminou com a morte do estudante secundarista José Guimarães, dezenas de feridos e um incêndio no prédio da Faculdade de Filosofia da USP, que foi interditado.
O que vem pela frente
Com o segundo turno a poucos dias, a tendência é que a disputa pelo voto jovem continue nas ruas e nas redes. Resta saber se a rua que já viu confronto violento verá novos atos de lado a lado e como a PM e as instituições de ensino vão lidar com a tensão até 25 de outubro.
Análise do Giro
O ato mostra uma juventude que não aceita mais ver o campus como território exclusivo da esquerda e que usa o direito de se manifestar em via pública, dentro da lei, depois de a universidade restringir atos em suas instalações. Em uma eleição apertada, a mobilização espontânea de estudantes por Flávio Bolsonaro é um sinal de energia que a militância governista terá dificuldade de ignorar. O debate de ideias, sem violência, é o que o país precisa.
Com informações de Revista Oeste.



