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Vorcaro mira Padilha: diz que ministro jantou com ele e operadores cobravam 10%

Em relato obtido pela Veja, o banqueiro preso afirma ter pago ao menos R$ 6 milhões por acesso a fundos de pensão. Padilha, Noleto e Lula negam qualquer ligação.

Vorcaro mira Padilha: diz que ministro jantou com ele e operadores cobravam 10%
Foto: Palácio do Planalto from Brasilia, Brasil / CC BY-SA 2.0 (Alexandre Padilha)

O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, entrou no centro do novo relato do banqueiro Daniel Vorcaro, preso desde março de 2026 em Brasília. Segundo documentos e áudio obtidos pela revista Veja, o dono do Banco Master afirma que se reuniu pessoalmente com o ministro e que um grupo ligado a ele cobrava comissão de 10% para abrir as portas dos fundos de pensão de estatais. Padilha nega.

Jantares, “equivalência” e a porta dos fundos de pensão

De acordo com Vorcaro, ele esteve com Padilha e participou de pelo menos dois jantares com o ministro, que à época chefiava a Secretaria de Relações Institucionais. Em um deles, o então chefe da pasta teria dito que tratar com Olavo Noleto, o secretário-executivo, equivalia a negociar com ele próprio.

O banqueiro afirma ainda que, em conversa reservada com um intermediário identificado como Júlio, com Noleto e com um primo deste, ouviu que o acesso à Previ, à Petros e ao Postalis dependeria de 10% sobre os recursos captados.

29 de abril de 2024: “Entramos na lista exaustiva”

As mensagens citadas pela revista mostram o ritmo das cobranças. Em 8 de abril de 2024, Vorcaro perguntou sobre contatos com Petros e Postalis. Em 29 de abril, o Master foi incluído na “lista exaustiva”, que reúne as instituições autorizadas a receber recursos dos fundos de previdência estatais. “Entramos na lista exaustiva. Resolvido”, escreveu o então sócio Augusto Lima.

No mesmo dia, segundo as mensagens, Júlio pediu R$ 500 mil a Vorcaro, que teria pago e cobrado resultados. Pelo relato do banqueiro, os negócios renderam ao menos R$ 6 milhões em pagamentos ao ministro e a seus operadores.

Encontro fora da agenda no Planalto

Há ainda um capítulo que mira o Palácio. Mensagens indicariam que, em outubro de 2024, os interlocutores tentaram marcar uma reunião entre Vorcaro e Lula. O encontro ocorreu em 4 de dezembro de 2024, fora da agenda oficial, por articulação do advogado Walfrido Warde com o então chefe de gabinete da Presidência, Marco Aurélio Santana, o Marcola. O assunto seria a situação do Master no Banco Central.

O avanço dos negócios travou em julho de 2024, quando veio a público a tentativa de vender R$ 500 milhões em letras financeiras à Caixa. Dois gerentes teriam sido afastados após pareceres contrários, segundo O Globo. Depois disso, Vorcaro diz que fundos de pensão e o grupo ligado a Padilha suspenderam as decisões de investimento.

Negativas e a falta de provas

Lula afirmou que “jamais solicitou ou recebeu qualquer vantagem financeira nem autorizou terceiros a receber recursos de Vorcaro em seu nome”. Padilha e Noleto também negaram relação com o banqueiro. Os demais citados não se manifestaram até o fechamento da reportagem.

O ponto frágil é a prova. Segundo a Veja, a PGR descartou a segunda proposta de delação, em junho de 2026, por considerar que não havia provas suficientes. A defesa rebate que existem WhatsApp, registros de entrada no Planalto, e-mails, atas, comprovantes de pagamento e dados de voos. Vorcaro trabalha agora em uma terceira tentativa de delação.

O que vem agora depende dos investigadores: se checarem mensagens, registros e rotas citados pelo banqueiro, o caso pode ganhar corpo. Se não, ficará como palavra de um preso contra negativas do governo.

Análise do Giro

Acusação não é condenação, e a credibilidade de Vorcaro já foi posta em dúvida pelas delações anteriores. Mas um relato que cita jantares, datas, mensagens e uma reunião fora da agenda no Planalto exige apuração séria e transparente, sobretudo quando envolve dinheiro de aposentadoria de servidores. Quem defende menos Estado e mais controle sobre o uso do dinheiro público tem o direito de cobrar respostas, e o governo, o dever de dá-las.

Com informações de Revista Oeste.

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