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Política

Prerrogativas aciona PF e admite não ter visto gravação atribuída a Vorcaro

Grupo de advogados pede à PF que investigue suposta articulação entre Vorcaro e a campanha de Flávio, mas reconhece que não teve acesso ao material.

Prerrogativas aciona PF e admite não ter visto gravação atribuída a Vorcaro
Foto: Agência Senado / Attribution (Flávio Bolsonaro)

A uma semana e pouco do segundo turno, a guerra em torno de Daniel Vorcaro ganhou um capítulo jurídico. Os advogados Marco Aurélio de Carvalho e Reinaldo Santos de Almeida, que representam o Grupo Prerrogativas, acionaram a Polícia Federal na quinta-feira (8) para pedir a investigação de uma suposta articulação entre o ex-banqueiro do extinto Banco Master e a campanha de Flávio Bolsonaro (PL) contra o governo Lula.

Há um detalhe que chama atenção: os próprios autores do pedido dizem que não viram o material que motivou a ação.

O que o grupo levou à PF

A notícia de fato se apoia em dois pontos. O primeiro é a divulgação, pela imprensa, de uma negociação para que Vorcaro conceda entrevista na televisão. O segundo são informações de que uma gravação de depoimento atribuído ao ex-banqueiro teria sido entregue a terceiros, com menções a adversários de Flávio e a integrantes do governo federal.

Os advogados sustentam que essas imputações “não encontrariam respaldo em elementos de prova e teriam sido concebidas para produzir efeito político” às vésperas do segundo turno. Ao mesmo tempo, afirmam que não tiveram acesso ao conteúdo e que o “apresentam apenas como notícia a ser verificada”.

Os pedidos feitos à Polícia Federal

O grupo quer prioridade no processamento e a apuração da existência da gravação citada. Pede também a identificação dos interlocutores que estariam negociando a entrevista com emissoras de TV.

O pedido vai além. Se imputações atribuídas ao custodiado contra o presidente da República ou integrantes do governo forem divulgadas nos próximos dias, os advogados querem verificação prioritária da correspondência com o material noticiado e da origem dele, respeitada a delimitação quanto ao trabalho jornalístico. Eles pedem ainda que os fatos sejam comunicados ao relator da operação Compliance Zero, que apura o esquema de fraudes envolvendo o Master, e ao Procurador-Geral Eleitoral.

O pano de fundo: Veja, Padilha e o filme Dark Horse

O movimento ocorre no mesmo dia em que a revista Veja, na madrugada de sexta-feira (9), publicou reportagem citando áudio e documentos em que Vorcaro afirma ter liberado dinheiro para o documentário “Lula”, de Oliver Stone. Segundo a revista, o esquema teria envolvido o ex-tesoureiro do PT e o ministro da Saúde, Alexandre Padilha.

Os advogados também relembram as mensagens e o áudio que expuseram a negociação de Flávio com Vorcaro pelo repasse de US$ 24 milhões, cerca de R$ 134 milhões. Flávio diz que buscava dinheiro para financiar o filme “Dark Horse”, sobre Jair Bolsonaro. Documentos mostram que pelo menos US$ 10,6 milhões, cerca de R$ 61 milhões, foram pagos em diferentes transferências bancárias para financiar o projeto.

A tese: foco desviado e ambiente para soltura

Na petição, o grupo diz ver uma tentativa de “embaraçar as investigações, deslocando o foco dos repasses do ‘Dark Horse’ e das demais frentes do caso Master para imputações dirigidas a terceiros”. Segundo os advogados, isso também formaria um “ambiente político favorável à soltura do custodiado e à impunidade dos envolvidos, entre eles o próprio candidato”.

O que vem a seguir

Cabe agora à PF decidir se dá andamento ao pedido e se há algo concreto a apurar. Também resta saber se a gravação suposta existe e se a entrevista de Vorcaro na TV de fato vai ao ar antes da votação. Em uma campanha decidida em margem estreita, cada áudio, cada documento e cada petição pesam.

Análise do Giro

Pedir à PF que investigue uma gravação que os próprios autores não viram, e que classificam como mera “notícia a ser verificada”, é um movimento de forte efeito político às vésperas da votação, e o eleitor merece distinguir o que é prova do que é suspeita. Flávio explicou publicamente o que diz ter buscado com o “Dark Horse”, e as acusações citadas sobre o outro lado vêm de reportagem que precisa ser apurada com o mesmo rigor. A transparência e a apuração igual para todos, sem seletividade, é o que protege a democracia e a liberdade de informar.

Com informações de CNN Brasil.

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