A bomba das acusações de Daniel Vorcaro contra o PT ganhou um contrapeso pesado: segundo integrantes da Polícia Federal ouvidos pela CNN Brasil, o órgão recusou a delação do ex-banqueiro por ausência de elementos mínimos que dessem credibilidade ao que ele relatou. A Procuradoria-Geral da República, afirmam os policiais, chegou à mesma conclusão. O caso veio à tona em reportagem da revista Veja.
Delação barrada: o que PF e PGR disseram
O relato de Vorcaro, que fala em pagamentos em espécie ligados ao Instituto Lula e em cobrança de 10% sobre captações em fundos de pensão, consta de um anexo levado à PGR em junho. Foi quando a segunda proposta de delação dele foi descartada. No total, o ex-banqueiro já teve duas propostas negadas.
A defesa, porém, não se dá por vencida. Segundo a reportagem, os advogados argumentam ter mensagens, registros de quem teria retirado o dinheiro vivo e a lista de locais usados por operadores nas entregas. Até agora, nada disso convenceu quem decide.
As mensagens que alimentam a polêmica
O material obtido pela Veja mostra Vorcaro cobrando andamento de contatos com os fundos Petros, Postalis e Previ. Em 8 de abril de 2024, ele escreve a um operador identificado como “Júlio”: “Vamos pressionar pra boletar. Postalis evoluiu?”. Júlio responde, sobre a Previ: “Do BB essa semana resolve”.
Em 29 de abril de 2024, o Master entrou na chamada “lista exaustiva”, documento oficial que reúne as instituições autorizadas a receber recursos dos fundos de previdência estatais. As conversas mencionam um pagamento de R$ 500 mil no mesmo dia. “Quero ver agora você virar uma boleta de verdade”, escreveu Vorcaro. “Pode deixar. É empenho de vida, Daniel, isso”, respondeu Júlio.
O filme de Lula e o “Dark Horse”
Num áudio de data incerta, Vorcaro compara os patrocínios a duas produções. Sobre o documentário de Oliver Stone, diz: “O filme do Lula eu coloquei acho que até mais. Eu acho que dá até mais. Só que o do Lula foi por fora, foi errado. O do Flávio não foi, porque foi patrocínio, foi patrocínio normal”. A fala se refere a “Dark Horse”, filme sobre Jair Bolsonaro que também recebeu dinheiro do Master. A CNN ressalta que não está claro quando a gravação foi feita.
No fim, o negócio não andou
Há outro ponto que pesa na história: os negócios com fundos federais, segundo a reportagem, não avançaram. Um vazamento comprometeu a primeira tentativa de negociar R$ 500 milhões em letras financeiras na Caixa. Em junho de 2025, Vorcaro reclamava: “Estamos já há mais de 12 meses tentando uma boleta”. Chegou a dar um ultimato: “Se não entrar nada até final da semana que vem, eu gostaria que você encerrasse o trabalho”.
Negativas e silêncio
À Veja, Lula afirmou que “jamais solicitou ou recebeu qualquer vantagem financeira nem autorizou terceiros a receber recursos de Vorcaro em seu nome”. Alexandre Padilha também negou relação com Vorcaro. Olavo Noleto disse que não vai se manifestar. A CNN procurou Planalto, Instituto Lula e a campanha do presidente, e tenta contato com Vaccari Neto, Walfrido dos Mares Guia e Paulo Okamotto.
O que vem a seguir
A delação segue sem avançar. A dúvida agora é se a defesa conseguirá apresentar provas que mudem a avaliação de PF e PGR, ou se o caso ficará restrito ao campo das mensagens e das versões, a poucos dias do segundo turno.
Análise do Giro
Acusação sem prova não condena ninguém, e é justo registrar que PF e PGR não viram base mínima na delação, que Lula e Padilha negam tudo e que os negócios sequer foram adiante. Mas a transparência também exige que fundos de pensão de servidores, dinheiro de milhões de brasileiros, sejam blindados de qualquer sombra de influência política, e que o eleitor tenha respostas claras, não apenas notas de negativa.
Com informações de CNN Brasil.



