A campanha de Flávio Bolsonaro (PL) ganhou um gesto de forte simbolismo a poucos dias da decisão. Nesta quinta-feira, 8, o candidato à Presidência foi recebido pelo cardeal Paulo Cezar Costa, arcebispo de Brasília, na Catedral Metropolitana da capital federal, e saiu de lá com uma imagem de Nossa Senhora Aparecida, padroeira do Brasil.
Fé, família e Estado laico na mesa
Flávio estava acompanhado do candidato a vice na chapa, Alfredo Gaspar (PL). Segundo a pauta divulgada, a conversa passou por liberdade religiosa, proteção da família e cooperação entre o poder público e as instituições religiosas.
Em comunicado, a Arquidiocese de Brasília informou que os participantes também trataram do respeito à legitimidade do Estado laico, da promoção da justiça social e do combate à pobreza e às desigualdades. A instituição descreveu o encontro como cordial e disse que ele tratou de questões de interesse da Igreja e da sociedade.
O presente de Nossa Senhora Aparecida foi entregue durante a visita e registrado em post no perfil oficial da arquidiocese no Instagram.
A corrida por apoios a 17 dias da urna
O encontro acontece em plena articulação para o segundo turno, marcado para 25 de outubro. No primeiro turno, em 4 de outubro, Flávio terminou na frente de Lula, com 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% do petista.
O senador disputou a primeira etapa sem apoio formal de outras legendas. Agora, já atraiu quatro partidos: União Brasil, PP, Novo e Republicanos. União Brasil e PP, que formam a federação União Progressista, tinham adotado neutralidade no primeiro turno e agora decidiram apoiá-lo.
Na quarta-feira, 7, o Novo formalizou a adesão. Horas depois, o Republicanos anunciou apoio, em decisão que contou com a participação do governador reeleito de São Paulo, Tarcísio de Freitas.
Nem todo o Republicanos embarca
Há uma ressalva importante. A orientação nacional do Republicanos não obriga todos os filiados a seguir o partido. O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), deve continuar apoiando Lula, assim como outras lideranças da sigla ligadas ao governo federal.
Aliados de Flávio negociam ainda novas adesões, inclusive com integrantes do MDB. Nesta quinta-feira, o escritor Augusto Cury, terceiro colocado no primeiro turno, declarou apoio ao senador.
O que vem agora
Com pouco mais de duas semanas até a votação decisiva, a agenda de Flávio mistura costura partidária e aproximação com setores da sociedade, como o religioso. Resta saber se o gesto da Igreja de Brasília, que falou em cordialidade e em temas de interesse social, terá algum peso no eleitorado que ainda decide o voto.
Análise do Giro
Liberdade religiosa e proteção da família são pautas que mobilizam milhões de brasileiros, e é natural que um candidato que as defende busque diálogo com lideranças da Igreja. O comunicado da arquidiocese, que também cita justiça social e combate à pobreza, mostra que o encontro foi institucional e plural, e não um endosso eleitoral. Cabe ao eleitor avaliar quem, na prática, protege melhor a fé e a família.
Com informações de Revista Oeste.



