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Política

Deltan chora e diz que eleição ‘já valeu’ com 2,9 milhões de votos pendurados no TSE

Com 2.904.594 votos e a vaga no Senado em suspense, Deltan Dallagnol aparece em lágrimas, acusa o relator de censura e admite até nova eleição no Paraná.

Deltan chora e diz que eleição 'já valeu' com 2,9 milhões de votos pendurados no TSE
Foto: Pablo Valadares/Câmara dos Deputados / CC BY 3.0 (Deltan Dallagnol)

O ex-procurador da Lava Jato Deltan Dallagnol (Novo) apareceu em lágrimas em um vídeo nas redes sociais, logo depois de o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) adiar, nesta quinta-feira (8), o julgamento que decide se ele pode ficar com a vaga ao Senado pelo Paraná. São 2.904.594 votos recebidos no primeiro turno, em 4 de outubro, que agora dependem de uma palavra final da Corte.

“Ela já valeu”

Na gravação, Deltan fala de Deus e da Bíblia e diz que sairá vitorioso, seja qual for o desfecho. Ele mesmo faz a pergunta que muita gente se faz: “Deltan, e tua eleição vai valer?”. E responde: “Ela já valeu”.

“Vamos lutar até o fim juntos. Deus nos dará a vitória, de um jeito ou de outro”, declarou. Em seguida, disse esperar a confirmação da candidatura, mas admitiu a possibilidade de uma nova eleição.

Acusação de censura e o nome de Gleisi

O ex-procurador também subiu o tom contra o relator do caso, o ministro Floriano de Azevedo Marques, a quem acusou de censurá-lo. Deltan criticou a decisão que suspendeu seus atos de campanha e afirmou que a medida favoreceria a deputada federal Gleisi Hoffmann (PT), que disputou uma das vagas ao Senado no Paraná e terminou em quarto lugar.

Reviravolta na reta final

A novela jurídica tem capítulos de tirar o fôlego. O Tribunal Regional Eleitoral do Paraná (TRE-PR) havia autorizado a candidatura por quatro votos a três. Na véspera da eleição, porém, Floriano determinou o indeferimento do registro.

No domingo, o presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, suspendeu os efeitos dessa decisão e restabeleceu provisoriamente a candidatura. Com isso, os votos de Deltan voltaram a ser contabilizados enquanto o plenário não decide. A Corte ainda não anunciou nova data para o julgamento.

O que pesa contra ele

O recurso foi apresentado por adversários políticos que contestam a elegibilidade do ex-procurador. A discussão envolve a saída dele do Ministério Público Federal, em 2021, quando havia procedimentos em tramitação. Em 2023, o TSE cassou seu mandato de deputado federal por entender que a exoneração ocorreu em circunstâncias que buscavam evitar a aplicação da Lei da Ficha Limpa.

A Procuradoria-Geral Eleitoral, por sua vez, defendeu a manutenção do registro em parecer apresentado antes da eleição.

E agora?

Tudo depende do plenário do TSE. Se a Corte rejeitar definitivamente a candidatura, os votos poderão ser anulados e uma nova eleição para a vaga no Senado poderá ser necessária. Até lá, quase 3 milhões de paranaenses seguem sem saber se o voto que deram vai valer.

Análise do Giro

Quase 3 milhões de eleitores foram às urnas e escolheram um nome; o respeito à vontade popular exige que qualquer decisão que a desfaça seja tomada com clareza, rapidez e fundamentação sólida. Manter o resultado em suspense depois do voto alimenta a insegurança jurídica e a desconfiança, e cabe ao TSE julgar logo, com transparência, para que o Paraná saiba quem o representará no Senado.

Com informações de Revista Oeste.

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