A campanha de Flávio Bolsonaro, candidato do PL à Presidência da República, colocou uma linha vermelha na mesa: para a equipe do presidenciável, o impeachment do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), é inegociável. O recado atravessa a disputa eleitoral e mira diretamente o centro do poder em Brasília.
Por que a campanha fala em ‘equilíbrio entre os Poderes’
Segundo a avaliação do entorno de Flávio, o afastamento do magistrado é necessário para restabelecer o equilíbrio entre os Poderes. Não se trata, portanto, de um aceno pontual à militância, mas de uma posição que a equipe diz tratar como inegociável.
O histórico que embasa a cobrança
Aliados de Flávio recorrem a um retrospecto que remonta a março de 2019, com a abertura do Inquérito das Fake News. O procedimento foi instaurado de ofício pelo então presidente do STF, Dias Toffoli, sem provocação da Polícia Federal nem do Ministério Público. Toffoli também designou Moraes diretamente para conduzir a apuração, sem sorteio entre os ministros.
De lá para cá, segundo o relato, Moraes ordenou o bloqueio de contas bancárias e de perfis em redes sociais. Autorizou ainda operações de busca e apreensão contra jornalistas, empresários e apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro e determinou a remoção de publicações. Em alguns casos, as medidas foram adotadas sem que os atingidos fossem ouvidos previamente.
Para os aliados do candidato, esse conjunto de episódios justifica a responsabilização do ministro. A equipe também aponta que a ausência de uma reação efetiva do Senado permitiu a continuidade das decisões que classifica como abusivas.
E Dino? A ‘bola da vez’
A leitura publicada pelo Jornal da Cidade Online vai além e sustenta que a situação do ministro Flávio Dino também é extremamente delicada. Segundo essa avaliação, após a eventual concretização do impeachment de Moraes, Dino fatalmente seria a próxima "bola da vez". Trata-se de uma projeção, não de um pedido formal anunciado pela campanha.
O que vem pela frente
O impeachment de ministros do STF depende do Senado, e é justamente aí que a campanha mira. A cobrança por uma reação da Casa tende a ganhar peso à medida que a disputa pelo Planalto esquenta. Resta saber se o discurso virará ação concreta e como o Supremo e o Congresso responderão.
Análise do Giro
O impeachment de ministros do STF é um instrumento previsto em lei e cabe ao Senado decidir sobre ele; discutir o tema é legítimo numa democracia. Para quem defende liberdade de expressão e limites claros a cada Poder, as críticas ao Inquérito das Fake News, aberto de ofício e com relator escolhido sem sorteio, merecem debate sério e transparente. Qualquer movimento nessa direção, porém, precisa seguir o rito constitucional e o devido processo.
Com informações de Jornal da Cidade Online.



