Brasília--:--:--
Dólar—
Euro—
Tempo—
Impostômetro 2026 R$ — ACSP
Manchetes
UrgenteVorcaro expõe em áudio R$ 30 milhões em dinheiro vivo ao Instituto Lula
PublicidadeRPNSuplementos RPN: Mag 7, Polivitamínico A-Z e muito maisConheça a linha completa e faça seu pedido online.Ver produtos
Mundo

Manifestante iraniano é enforcado horas após casar por telefone com noiva presa

Alireza Sepahi, de 25 anos, foi executado em Isfahan depois de trocar votos por telefone com a noiva, também presa, em cerimônia informal na prisão, segundo o jornal The Times.

Manifestante iraniano é enforcado horas após casar por telefone com noiva presa
Foto ilustrativa: Ehsan Iran / CC BY-SA 2.0

Um manifestante iraniano contrário ao regime foi enforcado ao amanhecer de 5 de outubro na Prisão Central de Isfahan, poucas horas depois de se casar por telefone com a noiva, que também está presa. O caso foi revelado nesta quinta-feira pelo jornal britânico The Times.

Alireza Sepahi, de 25 anos, foi executado junto com outro réu, Alireza Raisi. Segundo a organização Human Rights Iran, ambos haviam sido condenados à morte por causa dos protestos antigoverno na Praça Alikhani, em Isfahan, em 8 de janeiro.

Casamento por telefone na prisão

A noiva é a ativista estudantil Mahshad Keshani, de 22 anos. De acordo com a reportagem, os dois já se conheciam e se amavam antes de serem presos durante as manifestações contra o regime.

Keshani cumpre pena de cinco anos. Ela insistiu em realizar um casamento informal no domingo, quando cresceu o temor de que a execução de Sepahi estivesse próxima, após uma última convocação feita à família dele.

Os votos foram trocados por uma linha telefônica da prisão, com a presença dos pais dos dois. O advogado de direitos humanos Amirsalar Davoudi viabilizou a cerimônia e leu os votos para que os pais os abençoassem. A família da noiva entregou um exemplar do Alcorão, um doce de açúcar cristalizado com açafrão e uma rosa vermelha, como dote tradicional.

“Foi ideia da Mahshad”, disse Davoudi ao The Times. Ele contou que alertou a jovem sobre o caráter definitivo da decisão. Ela respondeu que amava Alireza.

Quando o advogado apresentou a proposta a Sepahi, o rapaz chorou. Davoudi relatou que até os agentes da prisão se emocionaram.

Execução já havia sido adiada em julho

A cerimônia não tinha validade formal para impedir a execução. Na segunda-feira de manhã, horas depois dos votos, Sepahi foi enforcado.

Não era a primeira tentativa. Em julho, ele já havia sido levado à forca, mas sofreu um ataque cardíaco no caminho. As autoridades reagendaram a execução depois que ele recuperou a consciência.

Sepahi é um dos sete réus executados no caso da Praça Alikhani. No processo, 12 homens foram acusados pela morte de quatro agentes de segurança. Após o enforcamento, a família teria sido impedida pelas autoridades de enterrá-lo na cidade natal.

Davoudi criticou o governo iraniano. “Não sei como aceitar isso”, afirmou. Para o advogado, o regime “está se vingando de jovens inocentes pela humilhação que sofreu internacionalmente”. Trata-se de uma avaliação dele, não de fato apurado de forma independente.

Segundo organizações de direitos humanos, Keshani continua presa e responde a novas acusações de segurança.

Pedido de ação da ONU

O caso veio à tona quando Maryam Rajavi, presidente eleita do Conselho Nacional da Resistência do Irã (CNRI), pediu ao secretário-geral da ONU, António Guterres, ação internacional imediata para barrar as execuções e as mortes de manifestantes no país.

Em carta divulgada antes do Dia Mundial contra a Pena de Morte, em 10 de outubro, Rajavi citou milhares de execuções e décadas de impunidade por violações de direitos humanos. Ela pediu responsabilização internacional, investigações independentes e pressão diplomática e econômica sobre Teerã.

Análise do Giro

Seja qual for o julgamento sobre o caso da Praça Alikhani, a história de um jovem enforcado horas depois de um casamento improvisado por telefone mostra o custo humano de um Estado que não tolera a divergência. Um país que reprime o protesto com a forca nega liberdades básicas, entre elas a de se expressar e a de viver em família. Cabe ao mundo livre acompanhar o caso com atenção e cobrar transparência, devido processo legal e respeito à vida.

Com informações de Fox News.

Leia também