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Política

Bets, Bolsa Família e fake de Aparecida: artigo expõe o ‘pacote’ de Lula antes das urnas

Reajuste, caneta emagrecedora, MP das bets e uma polêmica sobre Nossa Senhora: artigo na Oeste lista o que o governo fez na reta final e o que as urnas responderam.

Bets, Bolsa Família e fake de Aparecida: artigo expõe o 'pacote' de Lula antes das urnas
Foto: Ricardo Stuckert/PR / CC BY 2.0 (Luiz Inácio Lula da Silva)

Em poucas semanas, o governo Lula soltou um pacote de medidas de apelo popular a poucos dias do primeiro turno. Um artigo do jornalista e teólogo Marlon Reguelin, publicado na Revista Oeste, monta a lista e faz a pergunta que incomoda: o eleitor ainda aceita esse roteiro? As urnas, segundo o texto, já deram uma pista.

A frase de Dilma que não sai de moda

O autor parte de uma declaração de 2013, registrada pela Gazeta do Povo. Dilma Rousseff disse que, em hora de eleição, “nós podemos fazer o diabo”. Ela completou que, no exercício do mandato, é preciso respeitar os adversários. Reguelin reconhece o contexto, mas afirma que a frase virou símbolo de uma tentação conhecida: subordinar o Estado ao calendário eleitoral.

O pacote da reta final

O artigo enumera as medidas:

O Bolsa Família foi reajustado em cerca de 15%, de R$ 600 para R$ 691. O autor diz que ajudar quem tem pouco é legítimo, mas questiona o momento e a conta, com déficit primário projetado de mais de R$ 50 bilhões só neste ano.

Em Montes Claros (MG), Lula prometeu canetas emagrecedoras gratuitas no SUS. O Ministério da Saúde, porém, afirmou que apenas avalia a incorporação, sem data para começar.

Veio então o caso das bets. O governo regulou e tributou as apostas on-line, e os cofres públicos arrecadaram R$ 19 bilhões desde 2025. Em 25 de setembro, nove dias antes da votação, Lula assinou a medida provisória que as proíbe. Flávio Bolsonaro, principal adversário do petista, classificou a MP de “hipócrita, eleitoreira e populista”. Para o autor, a crítica “encontra base nos fatos”.

A lista inclui ainda o voto como prova de vida para aposentados e pensionistas do INSS, um novo Desenrola e, em junho, a proposta de elevar o teto de faturamento do MEI, segundo levantamento do Space Money. A “taxa das blusinhas”, sancionada pelo governo, foi revogada em 10 de setembro. Lula resumiu: “nós colocamos imposto, depois tiramos”.

Lula e a fake sobre Nossa Senhora Aparecida

O trecho mais explosivo trata de um boato. No fim de setembro, circulou a falsa informação de que Flávio pretendia tirar de Nossa Senhora Aparecida o título de Padroeira do Brasil. Segundo o artigo, o caso resgatava um projeto de 2007 do então deputado Victório Galli, arquivado em 2008 e sem relação com Flávio. Uma jornalista da GloboNews chegou a afirmar, sem provas, que a Igreja reagia a uma mobilização evangélica. A emissora corrigiu e pediu desculpas.

No Canal Livre, da TV Bandeirantes, Lula endossou a versão ao vivo: “Esse negócio de mexer com Nossa Senhora Aparecida não é aceitável”. Alertado pela jornalista Adriana Araújo de que era fake news, respondeu: “Eu não sei se foi fake news. O dado concreto é que isso está na rede social muito forte”.

O que as urnas responderam

Com 100% das urnas apuradas, Flávio terminou na frente, com 47% dos votos válidos contra 45% de Lula. Segundo o artigo, as rodadas finais de Datafolha, Quaest e AtlasIntel apontavam o petista à frente. O texto lembra que o vencedor do primeiro turno nunca perdeu a disputa pelo Planalto desde a redemocratização.

No Congresso, o PL elegeu 121 deputados federais, 24 a mais que em 2022, e 19 senadores, recorde desde a Constituição de 1988. A bancada chegará a 28 cadeiras no Senado em 2027. Nikolas Ferreira (PL-MG) passou de 3 milhões de votos e virou o deputado mais votado da história. O Poder360 calcula que a direita começará 2027 com 49 dos 81 senadores.

Há ainda um recado ao Supremo. Flávio lembrou, no discurso pós-resultado, que o próximo presidente poderá indicar quatro ministros da Corte até 2030, e o novo Senado decidirá se aprova os nomes.

E agora, segundo turno?

Reguelin diz não querer fazer de Lula o “arquétipo do próprio diabo” e afirma que o problema não está em ajudar os pobres. Para ele, o problema está na “mentira por conveniência”: tratar o eleitor como massa de manobra a ser convencida em quinze dias, e não como cidadão a ser servido em quatro anos. A decisão agora está nas mãos do eleitor, no segundo turno.

Análise do Giro

Benefício social não é crime, mas a sequência de anúncios na reta final, com conta aberta e promessas ainda sem data, alimenta a desconfiança do contribuinte. O primeiro turno sugere que o eleitor já reconhece o enredo, e que cobra transparência e responsabilidade fiscal de quem governa o país.

Com informações de Revista Oeste.

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