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Bastidor: Netanyahu temia que Sullivan ‘pulasse da pele’ com plano de matar Nasrallah

Livro revela o racha em Israel sobre avisar ou não o governo Biden antes de eliminar o chefe do Hezbollah. Para Netanyahu, Washington diria não.

Bastidor: Netanyahu temia que Sullivan 'pulasse da pele' com plano de matar Nasrallah
Foto: Avi Ohayon / CC BY-SA 3.0 (Benjamin Netanyahu)

Na véspera de um dos golpes mais duros contra o Hezbollah, o governo de Israel estava dividido sobre uma pergunta explosiva: avisar ou não a Casa Branca de Joe Biden? Em setembro de 2024, o premiê Benjamin Netanyahu temia que Washington tentasse barrar a operação para matar o líder do grupo terrorista, Hassan Nasrallah, em Beirute. A revelação é de Elliot Kaufman, editorialista do Wall Street Journal, em entrevista à Fox News Digital.

‘140%, eles não vão aprovar’

Segundo Kaufman, coautor do livro “In the War Room: The Inside Story of Israel’s Fight Against Hamas and the Iranian Axis”, Netanyahu foi categórico diante de seus oficiais de defesa: “140%, they won’t approve of the mission” (“140%, eles não vão aprovar a missão”).

O então ministro da Defesa, Yoav Gallant, e o chefe do Estado-Maior, Herzi Halevi, pensavam diferente. Defendiam informar os americanos, por acreditar que Washington poderia até apoiar um ataque contra um líder do Hezbollah ligado à morte de militares dos EUA. Netanyahu rebateu: o então conselheiro de Segurança Nacional, Jake Sullivan, “jump out of his skin”, ou seja, “pularia da própria pele”, se soubesse do plano.

Pentágono diz que não foi avisado

Em 27 de setembro de 2024, caças israelenses atingiram a sede do Hezbollah em Beirute. O Pentágono afirmou não ter recebido aviso prévio. Gallant conversou com o então secretário de Defesa, Lloyd Austin, quando a operação já estava em andamento.

Nasrallah, que comandava a organização apoiada pelo Irã havia mais de três décadas, morreu no ataque. O Hezbollah abriu uma segunda frente contra Israel em 8 de outubro de 2023, um dia depois do ataque do Hamas, e desde então disparava foguetes e mísseis contra comunidades do norte israelense.

Vencer a guerra ou esfriá-la?

Para Kaufman, Israel esperou de 10 a 11 meses que a diplomacia americana funcionasse, sem sucesso. “Algo tinha que mudar na frente norte”, disse. Ele resumiu o choque com uma frase que diz ter ouvido do gabinete do premiê: “America’s goal is to de-escalate the war. Our goal is to win the war” (“O objetivo da América é desescalar a guerra. O nosso é vencer a guerra”). Segundo ele, o atrito apareceu “em todos os pontos”, sobretudo na gestão Biden.

O livro, escrito com Yonah Jeremy Bob, do Jerusalem Post, conta ainda que generais americanos enviados por Biden alertaram que uma invasão terrestre em Gaza poderia terminar em derrota militar. Netanyahu aprovou a ofensiva em 27 de outubro de 2023, após semanas de debate interno.

Netanyahu também na berlinda

Kaufman não poupou o premiê. Disse nunca tê-lo ouvido assumir responsabilidade pelo 7 de outubro. Segundo ele, Netanyahu repete que só foi acordado às 6h29.

Esse ponto virou polêmica em Israel. Em entrevista ao Canal 12, o general da reserva Avi Gil, então secretário militar de Netanyahu, disse que o chefe de gabinete do premiê, Tzachi Braverman, tentou alterar o registro oficial de uma ligação entre os dois. Uma taquígrafa teria sido instruída a mudar o horário de 6h40 para 6h29. Braverman admitiu ter buscado a alteração, mas negou irregularidade. O Likud diz que a polícia investigou o caso dois anos antes e recomendou arquivá-lo; a Promotoria não anunciou decisão de arquivamento.

Gil afirmou ainda que chances de acordos de reféns se perderam por cálculo político. Perguntado se parte dos reféns mortos poderia ter voltado viva, respondeu: “We could have” (“Poderíamos”).

Trump, Vance e o ‘tiro certeiro’ em Fordow

O livro também trata da guerra de 12 dias, em junho de 2025. Kaufman conta que o chefe militar israelense, Eyal Zamir, disse ao vice-presidente JD Vance: “You have a straight shot to Iran’s nuclear sites. You will never have a better opportunity than this”. Para o autor, Vance teve papel decisivo na autorização de Donald Trump para a Operação Midnight Hammer, e Trump agiu diante de uma oportunidade, não puxado por Netanyahu.

A Fox News informou que a resposta de Jake Sullivan não chegou até o prazo.

Análise do Giro

O relato reforça um contraste que o mundo viu: um governo americano obcecado em desescalar e um aliado que queria derrotar quem o atacava. Vale a ressalva de que a versão vem de um autor e de fontes reservadas, e de que Netanyahu também enfrenta cobranças legítimas por 7 de outubro. Mas a lição para quem defende liberdade e segurança é clara: aliados fortes se escolhem pela firmeza diante do terror, não pela pressa em apagar incêndios sem vencê-los.

Com informações de Fox News.

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