Eles parecem espontâneos, mas não são. Neste sábado, manifestantes, entre eles os ativistas do CodePink, tomam Washington, a capital dos Estados Unidos, para um “dia global de ação” contra Israel. Segundo investigação da Fox News Digital, a onda de marchas que se espalha pelo mundo foi escrita, desenhada e ensaiada com antecedência, num roteiro coordenado entre continentes.
Cartazes prontos, slogans prescritos
A apuração identificou 179 organizações na coalizão. Um mapa interativo publicado pela rede lista 322 eventos marcados ao longo de três dias, até domingo. Semanas antes das ruas lotarem, a Aliança Global pela Palestina já havia preparado cartazes em sete idiomas: inglês, árabe, turco, finlandês, francês, português e espanhol.
Havia pastas com nomes como “HANDHELD PLACARDS” e “STREET DEMANDS”. Em Kuala Lumpur, na Malásia, na sexta-feira, mulheres levaram nas mãos cartazes idênticos, com a marca da aliança em letras miúdas. Em outro ponto do mesmo ato, duas mulheres com metralhadoras de brinquedo ladeavam uma imagem de papelão do premiê israelense, Benjamin Netanyahu, algemado e com uma corda no pescoço.
“Não é uma marcha simbólica”
Os documentos de campanha vão além do convite para marchar. Segundo a Fox, os organizadores orientam os grupos a “fechar praças”, “cercar prédios do governo” e “bloquear centros corporativos cúmplices”. O texto afirma: “Isto não é uma marcha simbólica e não é um protesto de rotina.”
O material também prevê paralisações em locais de trabalho e universidades, “die-ins”, projeções noturnas e bloqueios descritos como pacíficos. Há ainda um plano logístico que manda “alocar fundos” e organizar transporte e apoio jurídico.
Entre os slogans recomendados estão “Israel mata. A mídia justifica.” e “1.100 dias de genocídio israelense”. Os documentos tratam a acusação de genocídio como fato consumado. Israel contesta essa acusação. A própria Fox lembra que a jurista sul-africana Navi Pillay, que defendeu a tese, recebeu na sexta-feira o Nobel da Paz de 2026.
O dinheiro que vem de Xangai
O CodePink aparece entre as organizações participantes. A Fox informa que a entidade recebeu US$ 1,33 milhão de Neville Roy Singham, empresário de tecnologia sediado em Xangai. Ele teria repassado US$ 278 milhões a uma rede de entidades sem fins lucrativos, hoje sob escrutínio do Comitê de Meios e Caminhos da Câmara dos EUA e de seu presidente, o deputado Jason Smith. A suspeita levantada é de que algumas atuem como “cavalos de Troia” e testas de ferro do Partido Comunista Chinês e de outros interesses estrangeiros hostis. O CodePink e as demais organizações investigadas negam irregularidades.
Jodie Evans, cofundadora do grupo e casada com Singham desde 2017, marchou em Nova York atrás de militantes dos Revolucionários Comunistas da América, que gritavam “Viva a intifada”. Ela disse à Fox que Singham apoia o trabalho do CodePink.
Quem está no comando
Segundo a reportagem, o centro da mobilização são três entidades, entre elas a Aliança Global pela Palestina, lançada em Londres em julho de 2025 como uma “frente popular verdadeiramente internacional”. O comitê internacional inclui o ex-líder trabalhista britânico Jeremy Corbyn, o ex-ministro grego Yanis Varoufakis e o ex-líder do Sinn Féin Gerry Adams.
O mesmo padrão, diz a Fox, apareceu nos protestos estudantis na França, onde outra apuração achou uma rede de 50 organizações. Só 15 eram lideradas por jovens ou estudantes.
O que vem agora
Com Washington como palco neste sábado, a pergunta é até onde irão os bloqueios e as paralisações prometidos nos documentos. Também cresce a pressão no Congresso americano sobre o financiamento dessas redes.
Análise do Giro
Protestar é um direito de qualquer democracia, mas o público tem o direito de saber quem escreve o roteiro, quem paga a conta e por que atos vendidos como espontâneos seguem a mesma cartilha. Cabe às autoridades esclarecer a origem dos recursos, sem atribuir culpa antes da hora, e ao leitor desconfiar de qualquer mobilização em que o slogan chega pronto e o debate, nunca.
Com informações de Fox News.



